Banco Master: Criação de Carteiras de Investimentos Chamou Atenção do BC e Levou à Liquidação

Presidente do Banco Central explica como Banco Master tentou captar recursos em meio a crise, gerando alerta

A estratégia do Banco Master de criar novas carteiras de investimentos para levantar fundos no mercado, em um momento de crise de liquidez, foi o gatilho que alertou o Banco Central (BC) sobre problemas na gestão da instituição. A informação foi divulgada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Galípolo esclareceu que a lógica do mercado financeiro é oposta à adotada pelo Master. “Se você tem um banco com dificuldade de liquidez, você não forma carteira. Se você está com dificuldade de dinheiro, você vende carteira. A pergunta é, como você está vendendo uma carteira nova? Foi isso que chamou a atenção do BC imediatamente”, explicou o presidente do BC aos senadores.

O presidente do BC defendeu a atuação da autoridade monetária diante das acusações de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. Ele detalhou que, em novembro de 2024, um termo de compromisso foi firmado com o banco, concedendo seis meses para que a instituição se adequasse em termos de governança, capital e liquidez.

Tentativas de Captação e Venda de Carteiras

Após o termo de compromisso, o Banco Master buscou captar recursos no mercado com garantias do Fundo de Garantia de Créditos (FGC). Contudo, o banco começou a enfrentar restrições para essa modalidade de captação. Em seguida, as tentativas de levantar recursos junto a fundos de investimento também não obtiveram sucesso.

Diante desse cenário, o Master intensificou as operações que já vinha realizando desde 2023, focando na venda de carteiras de investimentos, especialmente para o BRB. Essa venda acelerada de ativos foi um dos pontos que mais chamou a atenção do Banco Central.

Investigação e Falta de Liquidez

A venda de carteiras de investimentos do Banco Master para o BRB, um banco público do Distrito Federal, está sob investigação da Polícia Federal. Há suspeitas de fraude em cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos negociados. O BRB chegou a tentar adquirir o Master, mas a operação não foi aprovada pelo BC.

A partir de janeiro de 2025, em meio aos problemas de liquidez, o Banco Master passou a formar novas carteiras de investimentos. Essa ação levou o BC a criar um grupo específico para analisar tais operações. A liquidação extrajudicial do Banco Master ocorreu em 18 de novembro de 2025, dez meses após o início da formação das novas carteiras e após a negativa na compra da instituição pelo BRB.

Proposta de “Investidores Árabes” e Risco Sistêmico

Antes da liquidação, o Banco Master apresentou uma última proposta que envolvia supostos investidores árabes. Segundo Galípolo, o banco comunicou ao FGC e ao BC a intenção de realizar uma saída organizada do mercado, passando a gestão para esses investidores. No entanto, o presidente do BC afirmou que “jamais teve conhecimento deles”.

Galípolo reiterou que a liquidação do Banco Master não representou risco sistêmico para o mercado financeiro, pois a instituição respondia por menos de 0,5% do sistema bancário. Ele destacou que o que gerou mais atenção foi “o que se fazia com o dinheiro que estava no Banco Master”.

O presidente do BC ressaltou que a liquidação não deve ser vista como uma punição aos gestores, mas sim como uma medida necessária diante da inviabilidade da instituição. “Punir uma instituição que foi vítima de maus gestores é um equívoco. É dobrar a punição em quem é vítima, que são, inclusive, os correntistas daquela instituição”, concluiu Galípolo.

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