
Rioprevidência destina recursos excedentes do custeio para aposentadorias e pensões, visando maior segurança financeira
O Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, o Rioprevidência, anunciou nesta terça-feira (9) uma importante mudança em sua gestão financeira. A autarquia passará a destinar recursos que sobram do fundo de custeio administrativo diretamente para o pagamento de benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões. Esta medida visa garantir maior robustez financeira para os segurados e foi aprovada pela diretoria executiva.
A decisão surge em um momento delicado para o Rioprevidência, que foi recentemente apontado em investigações relacionadas ao Caso Master, envolvendo suspeitas de aplicações financeiras irregulares. Com a nova regra, o objetivo é não apenas reforçar o caixa para o pagamento de benefícios, mas também implementar um controle mais rigoroso sobre as despesas futuras da autarquia, proporcionando mais tranquilidade aos servidores estaduais aposentados e pensionistas.
A expectativa é que, até o final deste ano, cerca de R$ 100 milhões sejam redirecionados para o pagamento de benefícios. A proposta ainda será submetida ao Conselho de Administração do Rioprevidência em junho. Além disso, o órgão decidiu adotar critérios de investimento mais conservadores, priorizando aplicações de curto prazo e alta liquidez, buscando assim maior segurança para os recursos administrados. Conforme informações divulgadas pelo Rioprevidência, essa mudança busca evitar a exposição a investimentos de maior risco e longo prazo.
Novos Critérios de Investimento para Maior Segurança
Em paralelo à reversão de recursos, a diretoria executiva do Rioprevidência também decidiu por uma política de investimentos mais cautelosa. As aplicações financeiras do fundo administrativo agora seguirão critérios mais conservadores, focando em instrumentos de curto prazo e com maior liquidez. O intuito é assegurar a segurança na aplicação dos recursos, evitando exposição a investimentos de maior risco.
O diretor-presidente, Felipe Derbli, destacou a lógica por trás dessa decisão: “Não há sentido em submeter os recursos do custeio administrativo do Rioprevidência a investimentos de longo prazo, naturalmente mais arriscados”, afirmou. Essa postura visa proteger o patrimônio do fundo e garantir a sustentabilidade do pagamento dos benefícios a longo prazo, especialmente após as recentes polêmicas.
Contexto do Caso Master e Aplicações no Banco Master
A mudança na gestão financeira do Rioprevidência ocorre em meio às investigações do Caso Master. Em maio, a Polícia Federal realizou uma operação para apurar o envolvimento do ex-governador Cláudio Castro na aplicação irregular de aproximadamente R$ 3 bilhões do fundo de previdência dos servidores fluminenses. Os recursos teriam sido investidos em Letras de Crédito e fundos do Banco Master.
De acordo com um relatório parcial da Polícia Federal, o Rioprevidência realizou aportes significativos no Banco Master. Entre outubro de 2023 e julho de 2024, foram destinados R$ 970 milhões em Letras Financeiras da instituição. Posteriormente, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, diante de obstáculos regulatórios, novos aportes totalizando R$ 2,01 bilhões foram feitos em fundos estruturados pelo mesmo grupo financeiro. Essas informações foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do Caso Master.
Impacto Esperado e Futuro da Gestão
A expectativa com a nova política é que, até o fim de 2024, cerca de R$ 100 milhões em recursos excedentes do fundo de custeio sejam direcionados para o pagamento de aposentadorias e pensões. Felipe Derbli ressalta que a medida não só reforça o pagamento dos benefícios, mas também atuará como um mecanismo de limitação de despesas para o futuro, promovendo uma gestão mais eficiente e responsável dos recursos públicos previdenciários.
A aprovação pela diretoria executiva é um passo importante, mas a validação final virá com o Conselho de Administração. A adoção de critérios de investimento mais conservadores e a reversão de fundos excedentes são sinais de uma reestruturação interna que visa aumentar a segurança e a transparência na administração do Rioprevidência, buscando recuperar a confiança dos segurados e do mercado.



