
Setor de serviços volta a crescer em abril após seis meses de quedas, impulsionado por transportes e turismo
O setor de serviços no Brasil demonstrou uma recuperação significativa em abril, registrando a primeira alta mensal em seis meses. A expansão de 1,2% na comparação com março representa um respiro para a economia, que vinha de uma sequência de resultados negativos.
Este resultado positivo marca um ponto de virada após uma queda de 1,1% observada em março, quebrando um ciclo de seis meses de desempenho instável. A pesquisa mensal divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (11) traz detalhes sobre essa retomada.
De acordo com o IBGE, a última vez que o setor havia apresentado uma variação positiva na comparação mensal foi em outubro de 2025, com um crescimento de 0,3%. Em abril, a alta de 1,2% é a maior variação positiva desde outubro de 2024, quando o setor cresceu 1,3%, evidenciando um movimento de recuperação importante.
Impacto do transporte aéreo e turismo na retomada
O setor de transportes, que detém o maior peso dentro das atividades de serviços no Brasil, foi um dos principais impulsionadores dessa alta. Em particular, o segmento de transporte aéreo de passageiros registrou um avanço expressivo de 7% em abril. Esse desempenho se deve, em grande parte, a uma queda considerável nos preços das passagens aéreas.
O analista do IBGE, Rodrigo Lobo, explicou que houve uma queda de 14,45% no preço das passagens aéreas em abril, após dois meses consecutivos de alta. Essa redução no custo das viagens aéreas incentivou o aumento da demanda e, consequentemente, o desempenho do setor de transportes.
O Índice de Atividades Turísticas (Iatur) também contribuiu para o cenário positivo, com uma subida de 4,1% em abril em relação ao mês anterior. O setor de turismo já se encontra 11,2% acima do patamar pré-pandemia de covid-19 e próximo de seu recorde histórico.
Desempenho geral e perspectivas futuras
Todos os cinco grandes grupos de atividades que compõem o setor de serviços apresentaram crescimento em abril. Além de transportes, armazenagem e correios, destacam-se os serviços prestados às famílias (1,4%), informação e comunicação (0,5%), serviços profissionais e administrativos (0,4%) e outros serviços (2,2%).
Apesar do resultado positivo, o analista Rodrigo Lobo ressalta que ainda é cedo para afirmar uma mudança definitiva na tendência de desempenho do setor. Ele aponta que o setor de serviços se mantém operando em patamar elevado, mas sem uma trajetória clara de ascensão ou queda no momento.
Em termos acumulados, o setor de serviços apresenta uma expansão de 2,9% nos últimos 12 meses. Na comparação com abril do ano anterior, houve um crescimento de 1,9%. Os dados completos da pesquisa, que abrange 166 tipos de serviços em 17 unidades da federação, oferecem um panorama detalhado da economia brasileira.



