
Débora Garofalo, a Professora que Inspira o Mundo com Robótica Criativa e Impacto Social
A educadora Débora Garofalo, que iniciou um projeto de robótica com sucata em uma escola pública municipal paulistana em 2015, continua a colecionar prêmios e reconhecimentos internacionais. Seu trabalho inovador não só rendeu diversas honrarias, mas também se transformou em política pública estadual, demonstrando o poder transformador da educação.
Recentemente, Débora foi eleita a professora mais influente do mundo em uma nova categoria do Global Teacher Prize, o chamado “Nobel da educação”, além de receber o Prêmio Faz Diferença 2025. Essas conquistas são frutos de uma trajetória que vai além da sala de aula, impactando positivamente a vida de milhares de estudantes.
Em entrevista à Agência Brasil, a professora detalhou a origem de seu projeto, os desafios enfrentados e as vitórias alcançadas. Ela também compartilhou sua visão sobre o uso da tecnologia na aprendizagem, enfatizando que não se trata apenas de telas, mas de uma abordagem que estimula a criatividade e a resolução de problemas. Conforme informações divulgadas pela Agência Brasil, o projeto de robótica com sucata, que começou em 2015 na EMEF Almirante Ary Parreiras, localizada em uma região de alta vulnerabilidade social em São Paulo, nasceu da necessidade de ressignificar o território e o lixo encontrado nas ruas.
O Nascimento de um Projeto Inovador com Sucata
Débora Garofalo, inicialmente professora de língua portuguesa, viu na vaga de tecnologia e inovação uma oportunidade de fazer a diferença. Ao avaliar a escola, descobriu que 70% dos estudantes consideravam o lixo um problema sério em suas vidas, impactando a frequência escolar e a saúde. Diante disso, ela decidiu transformar o lixo em objeto de conhecimento.
O primeiro protótipo, um carrinho feito com sucata e movido a bexiga, utilizando a Terceira Lei de Newton, causou um alvoroço positivo. Crianças passaram a trazer tampinhas e rolinhos para a escola, ansiosas por mais aulas de robótica, demonstrando o sucesso imediato da iniciativa.
Impacto Social e Comunitário: Reduzindo Evasão e Trabalho Infantil
O projeto não se limitou à sala de aula. Através de feiras de tecnologias, a comunidade foi integrada, reunindo mais de 500 pessoas na última edição em 2019. Protótipos como filtros de água e sensores para alertar sobre transbordamento de córregos surgiram, criando uma cultura de inovação.
Em três anos e meio, o Ideb da escola saltou de 4,2 para 5,2. Mais de uma tonelada de lixo foi transformada em protótipos, a evasão escolar foi reduzida em 93% e o trabalho infantil em 95%. Alunos em situação de risco passaram a receber alimentação e certificados de voluntariado, permanecendo na escola e auxiliando colegas.
Do Projeto Escolar à Política Pública Estadual
O sucesso do projeto levou Débora a aceitar o convite para integrar a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. Seu objetivo era transformar o trabalho com robótica em currículo estadual, alcançando 5,4 mil escolas e 3,7 milhões de estudantes. A intenção era que os professores trabalhassem com materiais alternativos, explorando o potencial criativo.
Foram criadas políticas como a Expo Movimento Inova, que reunia estudantes de todo o estado, e o Centro de Inovação da Educação Básica Paulista. Escolas ociosas foram transformadas em centros de inovação, e um currículo pioneiro de tecnologia e inovação foi implementado antes mesmo da BNCC da Computação.
Reconhecimento Global e a Importância da Criatividade na Educação
Em 2024, Débora Garofalo foi surpreendida com o prêmio Global Teacher Influencer of the Year em Dubai, reconhecendo seu impacto além da sala de aula. Ela enfatiza que a tecnologia por si só não resolve os problemas educacionais. É necessário **humanizar o processo**, trabalhar a criticidade, a ética e a responsabilidade.
A professora defende que proibir o celular em sala de aula é um “tiro no pé”. Em vez disso, propõe a implementação da **educação midiática**, formando professores e estudantes para uma utilização consciente da tecnologia. A aprendizagem ativa, onde o estudante erra, idealiza e constrói, é fundamental, como destacado em seu livro “Robótica com Sucata – Uma aventura pela criatividade”.
Débora Garofalo desmistifica a ideia de que tecnologia na escola significa apenas telas. Ela exemplifica com a distribuição de tablets em São Paulo, que não resolveu os problemas educacionais sem a devida intencionalidade pedagógica. O simples, a partir do problema trazido pelos alunos, como o lixo, funcionou como uma poderosa ferramenta de aprendizado e inovação.



