
Prioridades Fiscais e Tributárias Dominam Agenda Industrial para Próxima Gestão Federal
A indústria brasileira projeta um cenário onde políticas fiscais e tributárias se tornam o cerne das atenções para a gestão 2027-2030 no Executivo federal. A redução de impostos, a consolidação da reforma tributária, a manutenção do equilíbrio fiscal e a melhoria na gestão pública emergem como as principais bandeiras defendidas pelos empresários do setor.
Essas demandas foram detalhadas em um levantamento recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa, conduzida pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, revela uma clara predominância de temas considerados mais “monetaristas” em detrimento de políticas industriais específicas. A análise ouviu 1.003 executivos de empresas de diversos portes e regiões do país entre maio e junho.
A percepção é de que a sinergia entre as políticas fiscal e monetária é crucial para o desenvolvimento produtivo. “A indústria está pronta para fazer sua parte, mas precisamos de um Estado que escolha induzir o investimento produtivo, um Estado que planeje o desenvolvimento, fortaleça a produção e abra caminho para um Brasil mais próspero, inovador e de renda mais alta”, declarou Ricardo Alban, presidente da CNI.
Redução de Impostos e Equilíbrio Fiscal no Topo das Demandas
Os resultados da pesquisa da CNI são enfáticos: 29% dos empresários industriais elegeram a redução de impostos e a consolidação da reforma tributária como pautas prioritárias para a próxima administração. Outros 22% focaram no equilíbrio fiscal e na melhoria da gestão pública, enquanto 21% priorizaram o incentivo à indústria e à produção.
Quando o foco se volta para as prioridades internas de suas empresas e para a melhoria do ambiente de negócios, a redução de impostos se consolida como a principal demanda, sendo citada por 45% dos entrevistados. Essa questão está diretamente ligada ao chamado “custo Brasil”, um entrave histórico para a competitividade do país.
A redução de juros e a oferta de crédito também figuram como prioridades importantes, com 26% das menções. O incentivo à indústria e à produção aparece em terceiro lugar, com 21%, demonstrando que, embora as questões fiscais predominem, o fomento direto ao setor ainda é uma preocupação relevante.
Desafios Atuais e Intenção de Investimento
Os problemas mais sentidos pelo setor industrial no último ano, de acordo com a pesquisa, foram a alta carga tributária, a indisponibilidade de mão de obra e a taxa de juros elevada. Estes fatores foram apontados como de alto impacto pela maioria dos entrevistados, reforçando a urgência das demandas fiscais e de crédito.
Em relação aos investimentos futuros, a pesquisa indica um cenário de cautela, mas com otimismo moderado. Para os próximos quatro anos, 41% dos empresários pretendem manter o patamar atual de investimentos, e 28% manifestaram disposição para aumentar o volume. Contudo, 9% preveem reduzir investimentos, e 20% não têm intenção de investir no período.
Os resultados foram apresentados durante o evento “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, onde a CNI também defendeu a revisão de benefícios como o BPC e a desvinculação de pisos constitucionais em saúde e educação, propostas que geraram debates com entidades setoriais.



