
Produção da indústria brasileira cai 1,8% de maio para junho, acumulando perdas e preocupando o setor produtivo.
A produção industrial brasileira registrou uma nova queda em junho, recuando 1,8% em relação a maio. Este é o segundo mês consecutivo de baixa, com uma queda anterior de 0,9% em maio, totalizando um **recuo acumulado de 2,7%** nos dois meses.
Essa perda acumulada **eliminou parte significativa do ganho de 4,4%** que havia sido observado nos primeiros quatro meses do ano, segundo o gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-BR), André Macedo. A desaceleração tem impactado negativamente o desempenho geral da indústria.
Na média móvel trimestral, a indústria apresentou uma **queda de 0,5%**. Apesar disso, na comparação anual com junho do ano passado, houve um **crescimento de 1,7%**. Com os resultados de junho, a produção industrial acumula altas de 1,5% neste ano e de 0,7% em 12 meses. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Setores Industriais em Retração e Destaques Negativos
Na passagem de maio para junho, **16 dos 25 ramos industriais pesquisados apresentaram queda na produção**. O setor de **coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis** foi um dos mais afetados, com uma retração de 5,9%. Outros segmentos que registraram resultados negativos relevantes incluem produtos químicos (-4,3%), produtos alimentícios (-1,9%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11%), e confecção de artigos do vestuário e acessórios (-11%).
Também contribuíram para a queda os segmentos de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-8,9%), outros equipamentos de transporte (-8,6%), produtos de borracha e de material plástico (-2,8%) e indústrias extrativas (-0,6%). A diversidade de setores em baixa aponta para desafios amplos na economia.
Atividades em Alta e Impacto nas Categorias Econômicas
Apesar do cenário geral de queda, algumas atividades industriais apresentaram crescimento. Destaques positivos incluem **celulose, papel e produtos de papel (5,4%)**, impressão e reprodução de gravações (20,2%) e metalurgia (1,4%). Essas altas, no entanto, não foram suficientes para compensar as perdas em outros setores.
As quatro grandes categorias econômicas da indústria também registraram quedas. Os **bens de consumo semi e não duráveis** tiveram o recuo mais expressivo, com uma retração de 4,1%. Os bens de consumo duráveis caíram 3,2%. Já os bens de capital e os bens intermediários apresentaram quedas de 1,1% cada, evidenciando um impacto generalizado na cadeia produtiva.
Desempenho Acumulado e Perspectivas para a Indústria
A queda acumulada nos últimos dois meses representa um **freio no ritmo de recuperação da indústria brasileira**. A perda de parte dos ganhos obtidos no início do ano levanta preocupações sobre a sustentabilidade do crescimento industrial no médio prazo. A análise detalhada dos setores em retração é crucial para a formulação de políticas que possam reverter essa tendência.
O IBGE monitora de perto esses indicadores, que servem como termômetro da saúde econômica do país. A **produção industrial** é um componente vital do Produto Interno Bruto (PIB), e sua performance afeta diretamente o emprego e a renda da população. Acompanhar os próximos meses será fundamental para entender a evolução desse cenário.





