Grupo Sururu na Roda comemora 25 anos de trajetória com o lançamento do álbum “Na Linha do Tempo”, um marco em sua discografia que revisita a história do samba brasileiro com repertório afetivo e participações especiais.
O renomado grupo de samba Sururu na Roda celebra um quarto de século de carreira com o lançamento de seu mais novo álbum, intitulado “Na Linha do Tempo”. O trabalho, que conta com a direção musical de Rildo Hora e a participação especial de Mart’nalia, é uma jornada musical que percorre a rica história do grupo e do samba nacional.
Em “Na Linha do Tempo”, o Sururu na Roda reafirma sua posição como uma das formações mais consistentes e longevas do cenário do samba brasileiro. O álbum funciona como uma biografia musical, não apenas olhando para o passado, mas também celebrando a maturidade artística e apontando para a vitalidade contínua do grupo.
A notícia foi divulgada pelo MaisPB, com fotos de Clarice Vidal. Segundo o portal, o disco transita entre a tradição e a inovação, mantendo a marca registrada do Sururu na Roda: a capacidade de unir pesquisa musical, bom humor, refinamento e força popular em suas apresentações.
Formação e Trajetória do Sururu na Roda
Formado em 2000 a partir de encontros musicais informais na UNIRIO, no Rio de Janeiro, o Sururu na Roda teve sua fundação liderada por estudantes de música, com destaque para Nilze Carvalho e Camila Costa. A formação clássica inicial contava com Nilze Carvalho (voz, cavaquinho e bandolim), Camila Costa (violão e voz) e Fabiano Salek (percussão e voz).
Em entrevista ao MaisPB, Fabiano Salek, um dos fundadores e atual percussionista e vocalista, falou sobre a longevidade do grupo. “Esse é o nosso oitavo projeto e é onde a gente consolida a formação atual comigo, Fabiano Salek, nos vocais e nas percussões, Silvio Carvalho também, voz e percussão, que somos da formação original do grupo, com a Ana Costa, que também é cantora e violonista”, explicou Salek.
Salek relembrou a importância de nomes que passaram pelo grupo, como Nilze Carvalho e Camila Costa, e celebrou as conquistas, incluindo o Prêmio da Música Brasileira em 2014 como melhor grupo de samba. “É uma trajetória realmente repleta de conquistas muito legais”, afirmou.
“Na Linha do Tempo”: Um Repertório Afetivo e Refinado
O álbum “Na Linha do Tempo” foi concebido com um repertório cuidadosamente selecionado. A escolha das músicas envolveu o trio principal, o empresário Alan Rabelo e o diretor artístico Rildo Hora. “Todos juntos fomos trazendo as ideias de repertório e o Rildo foi muito importante nesse processo”, comentou Fabiano Salek.
O disco abre com “Mutirão do Amor”, uma composição de Zeca Pagodinho, Sombrinha e Jorge Aragão, escolhida para transmitir uma mensagem de amor em tempos desafiadores. “Nunca é demais falar de amor, principalmente nos dias atuais onde a gente vive tempos tão sombrios, tão violentos”, destacou Salek.
Outra faixa que reflete o astral positivo do álbum é “Sorriso Aberto”, de Guará. O repertório abrange desde compositores tradicionais, como “Noiva Rosa”, até nomes contemporâneos como Dudu Nobre, traduzindo a evolução do samba ao longo do tempo.
Um dos momentos de destaque é o pot-pourri “Sambas de Roda”, que une “O Cavalo de São Jorge” (Paulinho Pinheiro/Roque Ferreira), “Milagre” (Dorival Caymmi) e “Todo Menino É Um Rei” (Zé Luiz do Império Serrano/Nelson Rufino). “Esse pot-pourri ficou muito legal e foi uma ideia trazida pelo Silvio Carvalho que experimentou juntar essas três músicas e achamos que tinha tudo a ver”, disse Salek.
A Maestria de Rildo Hora e a Voz de Ana Costa
A direção musical de Rildo Hora foi fundamental para a sonoridade de “Na Linha do Tempo”. “O processo todo com Rildo Hora foi o melhor possível. Ele é um craque, né? É um dos maiores maestros que temos em atividade”, elogiou Salek, revelando que Hora se declarou fã do grupo.
Fabiano Salek também ressaltou a qualidade vocal de Ana Costa, que se juntou ao grupo em 2017. “Ana Costa é um luxo de cantora, de musicista, de arranjadora e produtora. Ela é uma artista multifunção e talentosa demais”, declarou.
A participação de Mart’nalia na faixa “Mascarada” foi um convite especial para enriquecer o álbum comemorativo. “Achamos que “Mascarada” poderia ser uma música muito bacana, porque é uma música que a gente já divide e canta em grupo também”, explicou Salek, mencionando uma homenagem anterior ao Zé Kéti onde eles cantaram a música juntos.
Planos Futuros e Legado do Samba
O Sururu na Roda tem planos ambiciosos para “Na Linha do Tempo”, incluindo uma turnê pelo Brasil. “O que a gente mais quer é viajar o Brasil todo com esse projeto”, afirmou Salek, expressando o desejo de se apresentar na Paraíba, um estado que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer.
O álbum também presta homenagem a grandes nomes do samba, como Candeia, com a inclusão de “Testamento de Partideiro”, e Gonzaguinha, com a faixa “É”. “Para nós é muito importante cantar a obra desse artista maravilhoso”, concluiu Salek sobre a escolha de Gonzaguinha, enfatizando a relevância de sua poesia e filosofia no contexto atual do Brasil.

