Teresa Cristina lança “Tudo Que Eu Tenho”, disco autoral esperado e anuncia turnê nacional
A cantora Teresa Cristina celebra um marco em sua carreira com o lançamento de “Tudo Que Eu Tenho”, seu primeiro álbum inteiramente autoral. O disco, que já está disponível nas plataformas digitais com distribuição da Altafonte, é fruto de anos de gestação e reflete transformações pessoais, espirituais e políticas da artista.
O projeto foi contemplado pelo edital Natura Musical e conta com a produção musical e arranjos de Pretinho da Serrinha. “Tudo Que Eu Tenho” reúne parcerias com nomes como Marisa Monte, Xande de Pilares, Moacyr Luz, Cézar Mendes, Mosquito, Bruno Barreto e Mingo Silva, prometendo uma rica tapeçaria sonora.
A faixa-título, “Tudo Que Eu Tenho”, serve como pontapé conceitual do álbum, abordando um tom político e existencial. Segundo Teresa Cristina, a canção nasceu de um olhar atento sobre as fraturas sociais do Brasil, expressando a inquietação diante das transformações do país. Conforme informação divulgada pelo MaisPB, a artista expressou profunda felicidade em poder apresentar suas composições em um trabalho totalmente autoral.
Produção de elite e parcerias de peso
Para dar vida à sonoridade única de “Tudo Que Eu Tenho”, Pretinho da Serrinha reuniu um time de instrumentistas renomados. A base rítmica e harmônica conta com Marcelo Minions (violão de 6 cordas), Charles Bonfim (baixo), Juan Felipe (cavaquinho), Nélio Júnior (teclado) e Miguel Torres (bateria), além da percussão de Flavinho Miúdo, Fábio Miudinho, Pedrinho da Serrinha e Jorge Quininho.
O álbum também se destaca pelas participações virtuosas de Dirceu Leite (sopros), Rildo Hora (gaita em “Nostalgia”), Carlinhos 7 Cordas, Paulão 7 Cordas, Mestre Trambique (em memória), Kainã do Jeje e Negadeza. O coro expressivo traz vozes de Jussara, Jurema, Maryzelia, Nego Álvaro, Rachell Luz e Mariana Baltar, enriquecendo ainda mais as faixas.
Um mergulho nas composições de Teresa Cristina
Teresa Cristina comentou sobre a gestação do álbum, que foi longa e marcada por interrupções desde 2015. “Eu cheguei a começar a gravar em 2015, 2016, por aí, mas acabei fazendo outros projetos e por conta disso o álbum ficou mais uma vez atrasado, deixado de lado. E dessa vez eu entrei em estúdio novamente, gravei tudo de novo e o resultado foi ótimo”, relatou ao MaisPB.
Sobre a faixa “Notícia Boa”, que abre o disco, Teresa descreveu como uma música linda com uma melodia especial de César Mendes. “Eu acho que essa música teve uma urgência muito grande de existir, porque ela veio muito rápido, assim, eu fiz quase que de uma vez só. E aí acaba virando um presságio sobre o álbum”, explicou.
A canção “Tudo que eu tenho”, que dá nome ao disco, nasceu em um momento conturbado para o país. “É uma canção que fala dessa inquietação. Nós estamos vendo tanta barbaridade aí, tantos direitos já conquistados, serão colocados à prova de novo. Nada é permanente nesse mundo. Nada. Só a exploração do capital mesmo”, desabafou a artista.
Turnê “Tudo Que Eu Tenho” com datas confirmadas
Com o lançamento do álbum, Teresa Cristina também anunciou o início de sua turnê “Tudo Que Eu Tenho”. As primeiras apresentações confirmadas são em Salvador, no dia 19 de setembro, no Largo da Tieta; no Rio de Janeiro, em 23 de setembro, no Teatro Riachuelo Rio; e em São Paulo, no dia 26 de setembro, na Casa Natura Musical. A turnê tem previsão de retornar ao Nordeste posteriormente.
A artista expressou um carinho especial por João Pessoa, onde já se apresentou com grandes nomes do samba. “Eu tenho um carinho e as melhores recordações de João Pessoa. Eu fiz um show em João Pessoa com Monarco, com Roque Ferreira e Vorlancelotti. O show foi tão lindo, tão lindo, um teatro todo de madeira, o público lotou o teatro, acabou sentando no chão, não tinha mais cadeira, enfim”, relembrou com emoção.
Homenagens e fé nas canções finais
As três últimas faixas do álbum, “Iabá” (Teresa Cristina / Moacyr Luz), “Bato Pa Ó” (Teresa Cristina / Mingo Silva / Bruno Barreto) e “Canto Pra Ogum”, são oferendas aos Orixás e representam a raiz e a fé da cantora. “Eu deixei pro final do disco essas canções, porque eu acho que é pra mostrar de onde eu venho, né? O nome do álbum é tudo que eu tenho, né? O que eu tenho pra oferecer de composição. E a gente não pode esquecer de onde a gente veio, sabe?”, explicou.
Teresa Cristina ressaltou a importância dessas canções em um contexto de ataques às religiões de matriz africana. “Eu acho que essas três canções Iabá, Bato pra Ó e Canto pra Algum, elas falam muito de mim, da minha fé, da minha crença, do meu lugar. E é um lugar que tem apanhado tanto, né? As religiões de matrizes africanas têm apanhado muito nos últimos anos, com essa onda fundamentalista que tem invadido o Brasil. E eu acho que é pra dizer de onde vem tudo que eu tenho, é daí, da minha fé”, concluiu.

