OmniVarejo 2026 aponta que o futuro do varejo se constrói com tecnologia e uma experiência do cliente inesquecível
O OmniVarejo 2026, realizado em João Pessoa, consolidou a visão de que o futuro do varejo está intrinsecamente ligado à adoção de novas tecnologias e à criação de experiências memoráveis para o consumidor. O evento reuniu mais de 2 mil participantes, incluindo empresários, executivos e especialistas, para debater as transformações que já moldam o setor.
A 58ª Convenção Nacional do Comércio Lojista, sob o lema “Onde o futuro do varejo nasce primeiro”, dividiu sua programação em quatro eixos temáticos: Experiência que encanta, Tecnologia que conecta, Autenticidade que conquista e Futuro que inspira. A discussão central girou em torno de um consumidor cada vez mais conectado, exigente e com um leque amplo de opções, tornando a integração entre tecnologia, experiência e eficiência operacional um fator decisivo.
Conforme informações divulgadas pelo evento, a inteligência artificial (IA) emerge não apenas como uma ferramenta para empresas, mas como uma participante ativa na jornada de compra, inaugurando o “varejo da recomendação” e o Agentic Commerce. Essa tendência, apresentada por Caito Carneiro, sugere que consumidores podem delegar pesquisas e decisões a agentes de IA, redefinindo a forma como as compras são feitas.
A jornada do consumidor se torna fluida entre o físico e o digital
A tecnologia que conecta foi um dos pilares do evento, evidenciando que, para o consumidor, as barreiras entre o ambiente físico e o digital estão cada vez mais tênues. Uma compra pode iniciar em uma pesquisa no celular, migrar para redes sociais como Instagram e WhatsApp, e culminar em uma loja física ou site.
Marília Prado, da Cielo, destacou que os pagamentos também se tornam mais discretos, integrados a plataformas que simplificam o processo de transação. Os dados apresentados pela executiva indicam a consolidação do e-commerce como hábito, com 42% dos consumidores que realizaram sua primeira compra online neste ano voltando ao canal mais de duas vezes.
A integração de estoques, cadastros e sistemas foi defendida por especialistas da Amazon Web Services, VTEX e Softcom. A mensagem principal é que a tecnologia deve solucionar problemas concretos e ser incorporada como um projeto de negócio, não apenas de TI, promovendo a **omnicanalidade** efetiva.
Inteligência Artificial: uma aliada para potencializar o capital humano
Walter Longo enfatizou que a inteligência artificial atua como uma ferramenta de **ampliação de capacidades**, promovendo uma relação de complementaridade com a inteligência humana. Em vez de substituir profissionais, a IA potencializa suas habilidades, desde que empresas e colaboradores adotem uma postura ativa na transformação digital.
A velocidade das ferramentas aumenta, mas a qualidade de sua utilização ainda depende da estratégia, do repertório, da cultura e da capacidade de decisão das pessoas. O **valor do humano** se torna ainda mais relevante em um cenário de automação crescente.
Autenticidade e confiança redefinem a relação com o cliente
No eixo “Autenticidade que conquista”, a discussão se voltou para a importância da confiança, identidade e relações humanas. Fabiano Zortéa apontou o paradoxo de uma sociedade hiperconectada digitalmente, mas com sinais de desconexão física, o que eleva o valor da loja como espaço de convivência e construção de vínculos.
A proposta é organizar **jornadas híbridas**, onde uma interação iniciada online pode se concretizar em um atendimento presencial. A autenticidade se manifesta na capacitação de vendedores para resolverem as necessidades dos clientes, na combinação de conhecimento regional com inovação e na construção de uma cultura organizacional que promova a inovação em todas as áreas.
Lizete Ribeiro, do Grupo Tauá, apresentou o “sorriso como modelo de negócios”, demonstrando como hospitalidade e encantamento podem ser transformados em processos e treinamentos. A experiência do consumidor começa pela forma como as equipes são tratadas e desenvolvidas, reforçando que, mesmo com tecnologia, a percepção do cliente é moldada pelas pessoas.
O futuro do varejo é adaptativo e centrado no cliente
O bloco “Futuro que inspira” trouxe uma visão ampla das mudanças no setor, entrando na “Era da Reconfiguração”. Fabio Neto, da StartSe, alertou sobre a transversalidade da concorrência, onde mudanças em áreas aparentemente distantes podem impactar o varejo. Exemplos como medicamentos para perda de peso e apostas online ilustram como saúde, entretenimento e comportamento alteram o consumo.
A orientação para a IA foi começar por uma dor específica, envolver pessoas, estruturar dados e testar soluções. No crédito, a importância de informações qualificadas para mitigar riscos e evitar a perda desnecessária de clientes foi destacada. Para pequenos negócios, a organização financeira e o conhecimento dos próprios números são cruciais.
Dafna Blaschkauer encerrou o evento com foco na liderança, definindo três funções centrais: inspirar, impulsionar e impactar. Mesmo com ferramentas poderosas, as organizações dependem de líderes capazes de dar direção, desenvolver equipes e transformar visão em execução.
O OmniVarejo 2026 concluiu que o futuro do varejo exige mais adaptação do que previsão. A capacidade de se ajustar continuamente, conhecer o consumidor, organizar dados e processos, capacitar pessoas e preservar o que diferencia cada negócio são os pilares para o sucesso em um setor em permanente reconfiguração.


