CVM Multa Ex-Banqueiro Daniel Vorcaro em R$ 20 Milhões por Fraude em Fundo Imobiliário: Banco Master Paga R$ 12,5 Milhões

CVM impõe pesada multa a Daniel Vorcaro e Banco Master por fraude em fundo imobiliário

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aplicou uma multa de R$ 20 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além de R$ 12,5 milhões ao Banco Master, por envolvimento em operações fraudulentas no fundo imobiliário Brazil Realty. A decisão, tomada por unanimidade, condena um total de 16 acusados, entre pessoas e empresas, totalizando R$ 201 milhões em penalidades financeiras.

A investigação, instaurada em 2020, apurou irregularidades na emissão e distribuição de cotas do fundo, focando na sobreavaliação de imóveis e outros ativos, além de operações no mercado secundário para criar uma falsa liquidez. O prejuízo identificado para os investidores chega a R$ 5,8 milhões.

Conforme informação divulgada pela CVM, o esquema envolvia a apresentação de laudos com valores inflados para os bens do fundo e a realização de transações para inflar artificialmente o preço das cotas. A terceira emissão de cotas do fundo, em 2018, captou R$ 139,1 milhões, grande parte em ativos físicos. A CVM apontou que diversos desses bens, especialmente imóveis, estavam supervalorizados.

Entenda a fraude e as multas aplicadas

A fraude no fundo imobiliário Brazil Realty centrou-se na sobreavaliação de ativos, principalmente imóveis, e na criação de liquidez artificial no mercado secundário. Segundo a CVM, laudos utilizados para determinar o valor dos bens apresentavam inconsistências, inflando artificialmente o patrimônio do fundo. Empresas ligadas aos envolvidos realizaram um volume expressivo de operações no mercado secundário, com o objetivo de dar a impressão de alta negociação e valorização.

A CVM identificou que, após a emissão das cotas, empresas como a Entre Investimentos realizaram centenas de operações, movimentando centenas de milhões de reais. Para a autarquia, essa dinâmica permitia que investidores comprassem cotas por valores artificialmente elevados, configurando prática fraudulenta. O prejuízo financeiro direto para fundos investidores, incluindo aqueles com regimes próprios de previdência entre seus cotistas, foi estimado em R$ 5,8 milhões.

Daniel Vorcaro e Banco Master no centro da investigação

Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, foi o principal alvo da multa, com uma penalidade de R$ 20 milhões. O Banco Master, que já foi liquidado pelo Banco Central, foi multado em R$ 12,5 milhões. A instituição financeira participou da terceira emissão do fundo, investindo cerca de R$ 16,8 milhões em dinheiro. A CVM calculou um resultado positivo de aproximadamente R$ 10,8 milhões para o banco nas operações posteriores com as cotas.

Outras entidades e pessoas ligadas a Daniel Vorcaro também foram punidas. Entre elas, o pai do ex-banqueiro, Henrique Moura Vorcaro, e o primo, Felipe Cançado Vorcaro, além de empresas como Viking Participações e Entre Investimentos. As multas individuais variaram entre R$ 5 milhões e R$ 24 milhões.

Defesa contesta, mas CVM mantém decisão

A defesa de Daniel Vorcaro negou a existência de provas individualizadas que comprovassem conduta irregular por parte do ex-banqueiro, questionando a existência de meios fraudulentos para induzir investidores ao erro. Os acusados sustentaram que as operações seguiram as regras de mercado e contestaram as irregularidades apontadas pela CVM. No entanto, a autarquia considerou que os documentos reunidos no processo eram suficientes para caracterizar a operação fraudulenta e responsabilizar os envolvidos.

Três ex-diretores da Sefer Investimentos foram absolvidos no processo. Os condenados podem recorrer da decisão ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN). É importante notar que este processo da CVM é independente das investigações criminais conduzidas pela Polícia Federal sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro, que já foi preso em outras ocasiões por investigações distintas.

Investigações criminais seguem em paralelo

A decisão da CVM adiciona mais um capítulo à saga envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. O ex-banqueiro já foi preso em novembro de 2025, na Operação Compliance Zero da Polícia Federal, momento em que o Banco Central interveio e liquidou o Banco Master. Posteriormente, em março de 2026, Vorcaro foi novamente detido em decorrência de outra investigação. As investigações criminais e administrativas correm em paralelo, destacando a gravidade das alegações e a complexidade do caso.

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