Adolescente de 15 anos que matou padrasto em Sousa, na Paraíba, é ouvido e liberado pela polícia; entenda o caso

Adolescente suspeito de matar padrasto em Sousa é liberado após depoimento à polícia

Um adolescente de 15 anos, investigado pela morte de seu padrasto em Sousa, no Sertão da Paraíba, apresentou-se voluntariamente à Polícia Civil nesta quinta-feira (10). Após prestar depoimento, o jovem foi liberado pela corporação. A apresentação ocorreu dois dias após o incidente e foi previamente comunicada pela defesa do menor, conforme informou a Polícia Civil.

A identidade do adolescente, por se tratar de um menor de idade, deve permanecer preservada. A Polícia Civil informou que a investigação segue em andamento para apurar todas as circunstâncias do ocorrido e definir se houve ato infracional e em quais condições ele se deu.

Durante o depoimento, o jovem relatou ter agido para defender sua mãe das agressões que o padrasto estaria desferindo contra ela. Segundo a versão apresentada à polícia, o homem teria iniciado as agressões contra a mulher e, em seguida, tentado atacar o adolescente, que interveio na situação.

A Polícia Civil está investigando a possibilidade de legítima defesa de terceiro, uma hipótese legal que se configura quando alguém age para proteger outra pessoa de uma agressão injusta, seja ela atual ou iminente. Essa alegação, no entanto, ainda será analisada com base em todos os depoimentos, laudos periciais e demais provas coletadas durante a investigação.

O crime ocorreu na terça-feira em meio a violência doméstica

O incidente fatal aconteceu na última terça-feira (8), na cidade de Sousa. De acordo com as informações iniciais apuradas pela polícia, o homem teria agredido e asfixiado sua companheira dentro da residência. A mulher pediu ajuda, e o adolescente interveio na situação, resultando em um golpe de faca que atingiu o padrasto e causou sua morte no local. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou o óbito.

A mãe do adolescente também precisou de atendimento médico devido às agressões e foi encaminhada ao Hospital Regional de Sousa. A delegada Patrícia Forny, responsável pelas primeiras informações sobre o caso, destacou que o homem morto descumpria medidas protetivas que o impediam de se aproximar da companheira. Este histórico de violência doméstica é um ponto importante na investigação.

Adolescente não permaneceu detido após depoimento

Após o ocorrido, o adolescente deixou a residência e não havia sido localizado pela polícia nos dias seguintes. A defesa do jovem entrou em contato com a Polícia Civil para informar sobre a apresentação voluntária. Ele foi ouvido na quinta-feira e, após o depoimento, não permaneceu apreendido.

A liberação do adolescente não significa o encerramento da apuração. O procedimento investigativo continuará para esclarecer toda a dinâmica dos fatos. Como o jovem tem 15 anos, qualquer eventual responsabilização seguirá as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e não o sistema penal aplicado a adultos.

Polícia analisa se houve legítima defesa de terceiro

Os elementos iniciais coletados pela Polícia Civil indicam a possibilidade de o adolescente ter agido para impedir uma agressão contra sua mãe. Contudo, caberá às autoridades competentes analisar se todos os requisitos legais para caracterizar a legítima defesa de terceiro estavam presentes no momento do fato. A investigação busca determinar a verdade dos acontecimentos e garantir a justiça.

A polícia já havia informado que o episódio ocorreu em um contexto de violência doméstica e que outra criança também estava na residência no momento do crime. A apuração completa visa entender a complexidade da situação e as circunstâncias que levaram à morte do padrasto.

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