Greve na Caixa: Bancários Rejeitam Proposta Final e Mantêm Paralisação Nacional por Tempo Indeterminado

Bancários da Caixa Econômica Federal Cruzam os Braços e Paralisação Nacional Continua

Os empregados da Caixa Econômica Federal optaram por manter a greve nacional, iniciada na última quinta-feira (10), após rejeitarem a proposta final apresentada pelo banco. A paralisação segue por tempo indeterminado, enquanto as negociações entre os sindicatos e a instituição buscam um novo acordo.

A decisão pela continuidade da greve foi confirmada em assembleias realizadas em diversas regiões. Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, por exemplo, 68% dos trabalhadores votaram contrários à proposta.

O principal ponto de impasse reside nas alterações propostas para o Saúde Caixa, o plano de assistência médica dos funcionários. A Caixa pretendia modificar o modelo de custeio e as regras de coparticipação, o que gerou forte resistência entre os trabalhadores.

Causa da Paralisação: Divergências no Saúde Caixa

As mudanças no plano de saúde foram o cerne das discussões e o principal motivo da rejeição. Entre as regras apresentadas pela Caixa, estavam:

  • Contribuição dos empregados variando de 2,3% a 4,1% sobre o salário-base, de acordo com a faixa etária.
  • Cobrança de R$ 480 a R$ 660 por dependente, conforme a idade.
  • Aumento do teto anual de coparticipação para R$ 4,8 mil por grupo familiar, com um limite de 9% para o grupo.
  • Criação de um piso de R$ 50 por beneficiário e a cobrança de 13 mensalidades.
  • Aumento do valor da consulta em pronto-socorro para R$ 150, fora do teto.
  • Isenção de coparticipação para atendimentos por telemedicina e recadastramento anual obrigatório.

A proposta também previa uma janela de 90 dias para adesão de titulares fora do plano, mas sem possibilidade de retorno após o cancelamento.

Caixa Considera Recorrer à Justiça e Mantém Diálogo Aberto

Antes mesmo da votação, a Caixa havia sinalizado que a proposta era final e que poderia buscar a Justiça do Trabalho caso ela fosse rejeitada. O banco estuda a possibilidade de ingressar com um dissídio coletivo, um instrumento jurídico para que a Justiça estabeleça condições para solucionar o impasse.

Apesar da continuidade da greve, a Caixa afirmou que mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos trabalhadores e que busca um entendimento para resolver a situação.

Origem da Greve e Impacto no Atendimento

A paralisação teve início na quinta-feira (10), após a rejeição de uma proposta anterior para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 90% das bases sindicais já haviam recusado o texto inicial.

Agências bancárias em São Paulo, Paraná e outras regiões amanheceram fechadas no primeiro dia da greve. No entanto, os caixas eletrônicos continuaram funcionando normalmente para os clientes.

A Caixa recomenda aos clientes que utilizem os canais digitais e remotos para realizar suas operações. Entre as opções disponíveis estão o aplicativo Caixa, Internet Banking, WhatsApp Caixa, Caixa Tem, aplicativos de cartões e serviços específicos, além de caixas eletrônicos, rede Banco24Horas, lotéricas e correspondentes Caixa Aqui. O atendimento telefônico pelo Alô Caixa também permanece ativo.

Situação no Banco do Brasil é Diferente

Em contraste com a Caixa, a maior parte dos trabalhadores do Banco do Brasil aprovou uma proposta apresentada pela instituição e trabalhou normalmente na sexta-feira (11). A paralisação, contudo, ainda persiste em 18 bases sindicais onde os trabalhadores não chegaram a um acordo.

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