Dólar em queda livre para R$ 5,45: O que impulsionou a moeda e o que esperar do Copom?
O dólar encerrou o pregão desta quarta-feira (4) em forte queda, atingindo R$ 5,451. Essa desvalorização acompanha o movimento de enfraquecimento da moeda americana no cenário internacional, cenário este que foi impulsionado pela vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
Enquanto o dólar recuava, a bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, demonstrava força, avançando mais de 1% e superando a marca dos 167 mil pontos. Este movimento positivo interrompeu uma sequência de seis pregões consecutivos de baixa, sinalizando um otimismo renovado no mercado.
Os investidores, no entanto, mantiveram um olhar atento à expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros, a Selic. A bolsa fechou suas atividades antes do anúncio oficial, que confirmou a manutenção dos juros em 13,75% ao ano, como esperado por parte do mercado.
Vitória democrata nos EUA e o reflexo no câmbio
Conforme informação divulgada pela Agência Brasil, a moeda dos Estados Unidos finalizou o dia com baixa frente ao real, revertendo uma tendência de alta que durava três pregões. O resultado das eleições legislativas americanas, onde os democratas asseguraram a maioria no Senado e na Câmara dos Deputados, foi o principal fator por trás dessa mudança.
A conquista democrata reduziu a percepção de risco de alterações drásticas na política econômica dos EUA, contribuindo para o enfraquecimento global do dólar. Adicionalmente, a queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano também favoreceu moedas de economias emergentes, como o real brasileiro.
Cautela e incertezas fiscais limitam ganhos do real
Apesar do cenário internacional mais favorável, os ganhos do real no Brasil foram contidos pela cautela dos investidores. As incertezas fiscais e as dúvidas sobre a condução da política econômica no próximo governo brasileiro geraram um certo receio no mercado. A iminente decisão do Copom sobre a Selic também esteve no centro das atenções.
Durante o pregão, o dólar chegou a registrar um pico de R$ 5,498 por volta das 13h30, mas ao longo da tarde, a moeda americana firmou-se em terreno negativo, finalizando o dia com a queda já mencionada.
Ibovespa interrompe sequência de perdas com otimismo externo
O Ibovespa, por sua vez, apresentou uma alta expressiva de 1,23%, alcançando 167.563,47 pontos. Esse avanço pôs fim a uma sequência de seis pregões de desvalorização, trazendo alívio aos investidores. O índice chegou a atingir 167.986,37 pontos em seu pico diário.
O desempenho positivo do Ibovespa refletiu o ambiente mais favorável aos ativos de risco no exterior, impulsionado pela vitória democrata nos Estados Unidos. A melhora no cenário global beneficiou ações de setores como bancos e de empresas sensíveis às variações de juros, além de companhias como a Vale.
Petrobras na contramão e queda do petróleo
Em contrapartida, os papéis da Petrobras, que são os mais negociados na bolsa, sofreram uma queda significativa. Essa desvalorização acompanhou a forte queda do preço do petróleo no mercado internacional, com o barril de Brent para janeiro recuando 8,67%, cotado a US$ 94,62.
O mercado brasileiro encerrou suas atividades antes da divulgação da decisão do Copom, um evento aguardado com expectativa. A manutenção da Taxa Selic em 13,75% ao ano era a aposta de parte dos analistas e investidores, o que se confirmou após o fechamento do pregão.