
Governo brasileiro prioriza minerais estratégicos para fomentar nova indústria e reduzir dependência externa
Em uma decisão crucial para o futuro industrial do país, o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos se reuniu e aprovou a lista de prioridades do governo federal para esses insumos. São 27 minerais que serão considerados no direcionamento de políticas públicas e recursos de fomento, com o objetivo de transformar o Brasil em um protagonista na cadeia produtiva global.
Esta iniciativa visa romper o ciclo de exportação de matéria-prima bruta e importação de produtos acabados, agregando valor e gerando empregos no território nacional. A legislação que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sancionada em setembro, prevê investimentos de até R$ 7 bilhões para impulsionar projetos de processamento e transformação desses minerais.
A lista foi elaborada com base em cinco critérios rigorosos, incluindo risco geopolítico, concentração de oferta, substituibilidade, posição do Brasil na cadeia de produção e dependência de importações. A definição dessas prioridades é um passo fundamental para garantir o suprimento de materiais essenciais para tecnologias emergentes, como veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia, conforme divulgado pelo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos.
Minerais essenciais para a transição energética e tecnologia ganham destaque
Os minerais que ocupam o topo da lista, com alta prioridade, são componentes vitais para a fabricação de baterias de veículos elétricos, ímãs permanentes e sistemas de armazenamento de energia. Metais como níquel, grafita e lítio, nos quais o Brasil possui reservas significativas, receberão atenção especial em termos de investimentos para desenvolvimento de sua cadeia produtiva.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, ressaltou a importância dessa estratégia, afirmando que “por muito tempo exportamos essa riqueza em estado bruto e importamos o produto pronto, com valor agregado lá fora. Queremos romper esse ciclo e definir uma estratégia para o desenvolvimento aqui”.
Brasil busca parcerias estratégicas para explorar sua riqueza mineral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente na reunião do conselho, enfatizou a necessidade de desenvolver uma indústria robusta de minerais no Brasil. Ele defendeu a importância de parcerias internacionais para impulsionar esse setor, declarando que “não queremos fazer com que o Estado seja o senhor supremo da exploração, da transformação, da industrialização. Nós queremos construir parceria, precisamos aprender. Precisamos construir com outros países que queiram participar conosco do processo de transformação e exploração dessa riqueza”.
Lista detalhada de minerais críticos e estratégicos
A lista aprovada pelo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, que contou com a contribuição de diversos órgãos como o Ministério de Minas e Energia (MME) e o BNDES, é dinâmica e poderá ser atualizada. Atualmente, os minerais são classificados em três níveis de prioridade:
Prioridade alta: Terras raras, Grafita, Lítio, Níquel, Cobalto, Cobre, Manganês, Silício e Urânio.
Prioridade média: Tungstênio, Cromo, Vanádio, Tântalo, Titânio, Fosfato, Potássio e Enxofre.
Prioridade baixa: Nióbio, Estanho, Ferro, Zinco, Ouro, Magnésio, Molibdênio, Tório, Alumínio e Grupo da Platina.
Essa classificação estratégica visa direcionar os R$ 7 bilhões em investimentos previstos pela Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, impulsionando a competitividade e a soberania do Brasil no cenário global de recursos minerais.





