
Petroleiros deflagram greve nacional a partir de segunda-feira (15)
Após semanas de assembleias em todo o país, os trabalhadores do Sistema Petrobras aprovaram a deflagração de uma greve nacional com início à zero hora de segunda-feira, 15 de novembro. A decisão ocorreu após a rejeição da segunda contraproposta apresentada pela estatal para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
Principais pontos de discórdia nas negociações
A nova proposta da Petrobras, entregue na última terça-feira, 9 de novembro, foi considerada insuficiente pelas entidades representativas da categoria. Os sindicatos apontam que a proposta não avança em três pontos centrais das negociações: a busca por uma solução definitiva para os Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros, que impactam diretamente a renda de aposentados e pensionistas; melhorias no plano de cargos e salários, com garantias de recomposição sem aplicação de mecanismos de ajuste fiscal; e a chamada pauta pelo Brasil Soberano, que defende a manutenção da Petrobras como empresa pública e um modelo de negócios voltado ao fortalecimento da estatal.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) destaca que, além de não apresentar respostas conclusivas sobre os PEDs — tema em discussão há quase três anos com o governo e entidades de participantes —, a empresa também não ofereceu soluções consistentes para outras pendências acumuladas ao longo do processo de negociação.
Notificação oficial e mobilização pré-greve
Com a rejeição da contraproposta, os sindicatos informaram que notificarão oficialmente a Petrobras sobre a paralisação na próxima sexta-feira, 12 de novembro, cumprindo os prazos legais estabelecidos.
Antes do início da greve, aposentados e pensionistas de diferentes regiões do país retomam, nesta quinta-feira, 11 de novembro, uma vigília em frente ao Edifício Senado (Edisen), sede da Petrobras no Rio de Janeiro. A mobilização cobra uma solução para os equacionamentos da Petros e deve se manter durante o período de negociações.
As ações ocorrem em paralelo a agendas em Brasília, onde representantes da categoria participam de reuniões com integrantes do governo e da Comissão Quadripartite. Esta comissão é formada pela Petrobras, Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) e entidades que integram o Fórum em Defesa dos Participantes e Assistidos da Petros.
Abertura ao diálogo e disposição para a pressão
A FUP e os sindicatos afirmam que seguem abertos ao diálogo, mas ressaltam que o resultado das assembleias e o calendário de mobilizações indicam uma forte disposição da categoria para pressionar por avanços nas negociações do ACT. A categoria busca garantir seus direitos e a sustentabilidade da empresa.
Posicionamento da Petrobras
Em nota oficial, a Petrobras declarou que mantém um canal de diálogo permanente com as entidades sindicais. A companhia afirmou que apresentou uma nova proposta em 9 de novembro, que contempla avanços para a categoria, e espera concluir o novo acordo na mesa de negociações. A empresa também declarou que respeita o direito de manifestação dos empregados e que, em caso de necessidade, adotará medidas de contingência para a continuidade de suas atividades.



