
Acordo Mercosul-UE: Exportações do Brasil podem crescer US$ 7 bilhões, estima Apex
O recém-aprovado acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, um marco histórico negociado por mais de duas décadas, tem o potencial de **elevar as exportações brasileiras em aproximadamente US$ 7 bilhões**. Essa é a estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que vê no pacto o **maior acordo econômico já firmado pelos dois blocos**.
Indústria brasileira em destaque
A indústria nacional deve sentir os efeitos da **redução tarifária** de forma quase imediata. Setores como máquinas e equipamentos de transporte, motores e geradores de energia elétrica, autopeças (incluindo motores de pistão) e aeronaves serão beneficiados com o fim ou diminuição das tarifas de importação. Além disso, produtos como couro, peles, pedras de cantaria, facas, lâminas e itens da indústria química também terão suas exportações facilitadas.
A ApexBrasil também aponta que o acordo pode ser um motor para a **diversificação da pauta exportadora brasileira**. Atualmente, mais de um terço das vendas do Brasil para a União Europeia provém da indústria de transformação. Com a redução das barreiras comerciais, espera-se que esses produtos ganhem ainda mais espaço no mercado europeu.
Commodities: Impacto gradual e estratégico
Para as commodities, o impacto do acordo será sentido de forma mais gradual. A redução das tarifas para produtos como carne de aves, carne bovina e etanol ocorrerá progressivamente, com a meta de zerar as tarifas em até 10 anos. No entanto, esse processo respeitará cotas e mecanismos de salvaguarda, projetados para monitorar as importações e **proteger, principalmente, os produtores rurais europeus**.
Uma vitória do multilateralismo
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, destacou a importância do acordo como uma **vitória do multilateralismo** em um cenário global turbulento, marcado por disputas comerciais e pelo enfraquecimento de instituições internacionais. “Esse acordo segue no sentido contrário ao que o mundo está andando. A própria Organização Mundial do Comércio perdeu importância, e estamos falando aqui do maior acordo econômico do mundo”, ressaltou Viana.
Viana enfatizou a magnitude do mercado que une Mercosul e União Europeia, reunindo mais de **700 milhões de consumidores e um PIB próximo de US$ 22 trilhões**. Esse bloco econômico só é superado pelos Estados Unidos (com cerca de US$ 29 trilhões) e ultrapassa a China (com aproximadamente US$ 19 trilhões), demonstrando o **enorme potencial de negócios e crescimento** para o Brasil.



