Câmara dos Deputados aprova acordo comercial Mercosul-União Europeia, abrindo caminho para o Senado e um futuro de maior intercâmbio econômico.
O plenário da Câmara dos Deputados deu um passo significativo ao aprovar, nesta quarta-feira (25), o aguardado acordo de comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Essa decisão representa um marco nas relações econômicas entre os blocos, com potencial para redefinir o cenário de exportações e importações.
Após a aprovação na Câmara, o texto do acordo agora segue para ser analisado e votado no plenário do Senado. A ratificação final ainda depende da aprovação nos Congressos de outros países membros do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, além da conclusão de trâmites legais na Europa.
O acordo, que foi assinado em janeiro no Paraguai e enviado ao Parlasul em fevereiro, foi objeto de debate e análise detalhada. A representação brasileira no Parlasul aprovou o texto por unanimidade na terça-feira (24). Conforme informação divulgada pela Câmara dos Deputados, o acordo busca criar uma **área de livre comércio** entre os dois blocos, com a **redução gradual de tarifas** e a **preservação de setores considerados sensíveis**, além de estabelecer mecanismos para a solução de controvérsias.
Redução de tarifas e impacto econômico promissor
O acordo prevê uma liberalização comercial significativa. O Mercosul se compromete a zerar tarifas sobre **91% dos bens europeus em até 15 anos**. Por outro lado, a União Europeia eliminará tarifas sobre **95% dos bens do Mercosul no mesmo período**. Essa medida é vista como um forte estímulo para o comércio bilateral.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que a implementação deste acordo pode **incrementar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões**. Além disso, espera-se uma maior **diversificação das vendas internacionais do Brasil**, beneficiando diretamente a **indústria nacional** e fortalecendo a posição do país no mercado global.
O maior bloco comercial do mundo à vista
Com a entrada em vigor, o acordo Mercosul-União Europeia tem o potencial de se tornar a **maior zona de livre comércio do mundo**, abarcando mais de **720 milhões de habitantes**. Essa dimensão representa uma oportunidade única para a expansão de negócios e o fortalecimento das economias envolvidas.
O texto do acordo é abrangente, contendo 23 capítulos que abordam desde a redução de impostos de importação até a criação de regras claras para diversos setores econômicos. A aprovação na Câmara, com votação simbólica (apesar de um voto contrário da federação Psol-Rede), sinaliza um avanço importante neste processo.
Próximos passos e salvaguardas para o Brasil
Apesar do otimismo, o Parlamento Europeu solicitou uma avaliação jurídica do acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que adiciona uma etapa ao processo. A entrada em vigor dependerá da conclusão de todos os trâmites legais e políticos necessários em ambas as regiões.
Por sugestão do relator na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), todos os atos que possam resultar em denúncia ou revisão do acordo, bem como quaisquer ajustes que impliquem encargos ou compromissos adicionais para o Brasil, estarão sujeitos à aprovação prévia do Congresso Nacional. Essa salvaguarda visa garantir a soberania e o controle brasileiro sobre futuras alterações no pacto comercial.
“O acordo abre uma nova etapa de cooperação e parceria entre os países do Mercosul e da União Europeia”, destacou Chinaglia em seu parecer, ressaltando o potencial transformador desta nova fase nas relações bilaterais.



