
Boulos classifica aumento do diesel como “banditismo” e anuncia ações contra postos
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou como “banditismo” o recente aumento nos preços do óleo diesel nos postos de combustíveis do país. Ele criticou duramente o que considera uma prática criminosa contra a economia popular, especialmente em um cenário onde o governo federal já implementou medidas para conter a escalada de preços.
A declaração foi feita em um evento no Rio de Janeiro, onde Boulos enfatizou que a guerra no Oriente Médio não justifica a alta, visto que o governo zerou impostos federais como PIS e Cofins sobre o combustível. Segundo o ministro, as distribuidoras estariam repassando um aumento especulativo aos consumidores, sem que houvesse um custo adicional para elas.
Conforme informação divulgada pelo ministro, o preço do barril Brent, referência internacional, subiu significativamente, passando de cerca de R$ 70 para aproximadamente R$ 580, mas o governo agiu para mitigar esse impacto. A Petrobras, por exemplo, reajustou o diesel em R$ 0,38 no dia 14, mas a desoneração tributária pelo governo suavizou o repasse nas bombas. A redução do ICMS sobre diesel importado também foi proposta aos estados.
Ações enérgicas contra especulação e ameaça de prisão
Boulos detalhou que o governo está agindo de forma enérgica para conter essa escalada especulativa. Ele informou que a Polícia Federal e órgãos de defesa do consumidor estão realizando operações diárias em postos e distribuidoras. Nas últimas 48 horas, cerca de 400 postos foram fiscalizados, com lacrações, aumento de multas e a promessa de que a prisão de representantes das empresas é o próximo passo caso a prática continue.
Diálogo com caminhoneiros e atendimento de demandas
O ministro confirmou um encontro agendado para a próxima quarta-feira (25) com lideranças de movimentos de caminhoneiros no Palácio do Planalto. Ele ressaltou que a ameaça de greve da categoria, que chegou a ser cogitada devido ao aumento do combustível, foi descartada após diálogo permanente e o compromisso do governo em atender às demandas dos trabalhadores.
Boulos lembrou que o governo se comprometeu a atender as demandas da categoria, visando evitar uma paralisação que poderia gerar prejuízos significativos para a economia brasileira. A atuação para conter a especulação de preços do diesel é um dos pontos centrais desse acordo.
Medida Provisória para o piso do frete
Outra demanda importante dos caminhoneiros atendida foi a publicação da Medida Provisória (MP) 1.343/2026, que pune transportadoras que não cumprem o piso estabelecido para o frete. Boulos criticou a falta de cumprimento da legislação por parte de grandes empresas, mesmo com multas substanciais aplicadas nos últimos meses, que somam mais de R$ 400 milhões.
A MP prevê que, em caso de reincidência, as empresas podem ter o registro de funcionamento cassado, uma medida mais rigorosa para garantir o cumprimento do piso mínimo de frete e proteger os caminhoneiros. O texto da MP foi negociado diretamente com os representantes da categoria.
Contexto internacional e pressão nos preços
A tensão na região do Oriente Médio, intensificada pela ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, tem sido apontada como um dos fatores que desencadeiam o choque global nos preços do petróleo. Ataques a países vizinhos produtores e o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, pressionam a oferta internacional.
O Irã chegou a alertar o mundo para se preparar para o preço do petróleo a US$ 200. Essa instabilidade global reflete diretamente no mercado brasileiro, embora o governo tenha buscado implementar medidas para mitigar os efeitos sobre o consumidor final, como a desoneração tributária e a proposta de redução do ICMS.




