
Jovens em João Pessoa encontram na busologia um hobby que vai além do transporte público revelando detalhes técnicos dos veículos
O interesse por ônibus transcende a simples funcionalidade de transporte para um grupo de quatro jovens em João Pessoa, que dedicaram os últimos três anos a praticar a busologia. Essa paixão se manifesta no acompanhamento da rotina dos veículos pela cidade, na interação com outros entusiastas globalmente e no registro minucioso de cada detalhe.
A busologia, termo que emergiu no Brasil na década de 1970, abrange o estudo e registro de ônibus. Atualmente, seus praticantes compartilham fotos e informações técnicas de veículos, tanto no Brasil quanto no exterior. Para Luyz Miguel, um dos integrantes do grupo paraibano, a conexão com os coletivos iniciou na infância, de forma intuitiva.
“Desde novinho, eu sempre via os ônibus passando, ou vindo para o centro, ou lá perto de casa e achava interessante. Eu implorava para minha mãe andar de ônibus comigo. Pensava que era o único até mais ou menos uns 13, 14 anos. Até que eu conheci uma página, um site, na verdade, de ônibus, ônibus da Paraíba”, relembra Luyz Miguel.
A descoberta de uma comunidade com interesses semelhantes marcou um ponto de virada para João Pedro, outro entusiasta. A observação casual evoluiu para um registro ativo e troca de informações entre os busólogos.
“Quando eu percebi que eu não era o único que gostava de ônibus, fui buscando mais e conheci os outros busólogos. E vi que não era só o único, vi que tinha como registrar os momentos, não apenas ficar no olhar”, explica João Pedro.
O olhar apurado do grupo permite identificar rapidamente características de cada veículo. Daniel da Silva, frequentador assíduo da rodoviária de João Pessoa, detalha como a identificação de um ônibus pode revelar sua origem, empresa, ano de fabricação e até o chassi.
“A gente vê um ônibus, a gente sabe de onde veio, a empresa que pertenceu, o ano, o chassi, só de ver. Basta a gente pegar a placa dele e colocar num site chamado ‘Ônibus Brasil’, a gente pega todos os dados do carro”, afirma Daniel da Silva.
Plataformas especializadas enriquecem o conhecimento dos busólogos, que, como Lucas Ruan, podem frequentar a rodoviária até três vezes por semana para acompanhar os veículos. O interesse do grupo se estende além da estética, abrangendo motorização, conforto e a experiência do passageiro.
A busologia, que começou como um interesse individual, tem se consolidado como uma comunidade. Segundo os jovens, empresas de transporte colaboram com essa aproximação através de visitas a garagens e eventos. A troca contínua em redes sociais conecta entusiastas de diversas regiões, fortalecendo o circuito da busologia.
O impacto da busologia chegou a ser integrado em momentos pessoais importantes, como no caso de um casal que utilizou um ônibus para a chegada da noiva, em um ensaio pré-casamento e para o transporte de convidados em João Pessoa. O noivo, que é busólogo e trabalha no setor, e a noiva, professora e usuária frequente do transporte público, optaram por mesclar elementos de suas rotinas na celebração.
“Decidimos unir as duas coisas, que fazem parte da nossa rotina”, afirmou o noivo. A escolha também facilitou o deslocamento de convidados vindos de bairros mais distantes da capital para a cerimônia.



