
Entidades do setor produtivo criticam corte modesto da Selic e pedem juros mais baixos para impulsionar a economia.
A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, gerou insatisfação generalizada entre representantes do setor produtivo e sindicais. A avaliação é unânime: o corte foi insuficiente e o nível atual dos juros ainda representa um obstáculo significativo para o crescimento econômico, o investimento e o consumo.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Associação Paulista de Supermercados (APAS) e centrais sindicais como a Contraf-CUT e a Força Sindical expressaram preocupação com o ritmo lento de afrouxamento monetário. Para essas entidades, a manutenção de juros elevados penaliza empresas, famílias e compromete a geração de empregos e renda no país.
Segundo as fontes consultadas, o custo do crédito continua alto, desestimulando investimentos produtivos e favorecendo o capital especulativo. Além disso, o endividamento de empresas e famílias atinge níveis recordes, fragilizando a saúde financeira de toda a economia brasileira. A expectativa é que o Banco Central adote uma postura mais agressiva em futuras reuniões.
CNI alerta para “custo proibitivo” do capital e “deterioração financeira”
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou o corte de 0,25 ponto percentual na Selic como “tímido”. Segundo a entidade, o nível atual da taxa de juros mantém o custo do crédito em patamar elevado, o que compromete investimentos e a competitividade do setor produtivo. “O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A CNI também aponta para uma crescente “deterioração financeira” de empresas e famílias. O endividamento tem batido recordes mensais, o que, na visão da entidade, fragiliza a saúde financeira de toda a economia. A manutenção de juros altos dificulta a renegociação de dívidas e o acesso a novas linhas de crédito, impactando diretamente o fluxo de caixa das empresas.
APAS critica “estímulo ao capital especulativo” e pede mais corte na Selic
A Associação Paulista de Supermercados (APAS) considera que o Banco Central poderia ter promovido uma redução mais significativa da taxa Selic. O economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz, avalia que o atual patamar dos juros penaliza a atividade econômica e que há um “estímulo muito grande ao capital especulativo, em detrimento do setor produtivo”.
Queiroz destaca que o cenário de juros elevados tem levado muitas empresas à recuperação judicial e aumentado o endividamento das famílias, elevando o custo do serviço da dívida. A APAS defende um afrouxamento monetário mais expressivo para reaquecer o consumo e estimular o investimento produtivo, essencial para a geração de empregos.
Centrais sindicais cobram mais cortes na Selic e alertam para impacto na renda
As centrais sindicais também criticaram o ritmo de queda da Selic. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) afirma que a política monetária tem impacto direto na renda da população. “A redução de 0,25% é muito pouco. O nível de endividamento das famílias está enorme”, disse a presidenta da entidade, Juvandia Moreira.
A Força Sindical classificou a decisão como insuficiente, destacando que a política de juros altos afeta diretamente o crescimento do país. “Os juros restringem investimentos, freiam a produção e comprometem a geração de empregos e renda”, apontou a central em nota. As entidades convergem na avaliação de que há espaço para cortes mais acentuados na Selic, visando a recuperação econômica.
Pressão por novos cortes na Selic se intensifica
Apesar de representarem setores distintos, a indústria, o comércio e os trabalhadores compartilham a mesma visão: o atual nível da Selic impõe restrições relevantes ao crescimento econômico, ao crédito e ao consumo. Há um clamor por uma redução mais acelerada da taxa básica de juros, o que, segundo as entidades, é fundamental para a retomada da confiança e a atração de investimentos produtivos.
O diagnóstico comum é que a política monetária precisa ser mais favorável ao setor produtivo para que o país possa avançar em direção a um crescimento sustentável e com geração de empregos. A expectativa é que o Banco Central reavalie sua estratégia em reuniões futuras, considerando a pressão vinda de diversos setores da sociedade.






