
Pacto das Pretas no Rio: Celebrando e Projetando o Protagonismo da Mulher Negra em Espaços de Poder
O Museu de Arte do Rio (MAR) foi palco, nesta segunda-feira (21), do segundo dia do Festival Pacto das Pretas, um evento que já se consolida em sua quinta edição como um importante palco para discussões sobre equidade racial e o papel da mulher negra no cenário corporativo. Trazendo o conceito “Movimento: Mulheres Negras Criando”, o festival atravessa o país, com passagens por Salvador e com futuro em São Paulo, reunindo líderes para debater temas cruciais.
A iniciativa, liderada pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER) e com o apoio de grandes empresas como Aegea, Caixa Capitalização e Banco do Brasil, visa criar uma plataforma nacional de impacto socioeconômico. Com 85 empresas signatárias, o pacto implementa um Protocolo ESG Racial, buscando consolidar a presença feminina negra em posições estratégicas na economia e tecnologia.
Wânia Sant’Anna, presidente do Conselho Deliberativo do PER, ressalta a relevância do evento: “O festival tem esse objetivo de trazer, em um evento desenhado para isso, a visão, a opinião e a prática de mulheres negras que têm atuado no terreno do trabalho. É um evento em que a grande pauta é empregabilidade, empreendedorismo, economia e empoderamento para estar nesses lugares”. Ela também pontua os desafios, “Isso sem descartar, de maneira nenhuma, os processos discriminatórios que as empresas têm, de não lhes dar oportunidades ou minimizar as suas entregas”. A informação foi divulgada pela Agência Brasil.
Antirracismo e Empoderamento no Ambiente Corporativo
Um dos pilares desta edição é a Plataforma Black Hub, um ecossistema digital focado em educação antirracista, cultura e aceleração profissional. Lançada em São Paulo, a plataforma conta com o apoio da Lei Rouanet e de empresas como Banco Itaú e Bayer. Através dela, projetos como a Cartilha ESG Racial, desenvolvida em parceria com o Gife, oferecem diretrizes práticas e indicadores para que o setor corporativo incorpore a pauta antirracista de forma estratégica.
Outra iniciativa de destaque é a Cartilha de Enfrentamento à Violência, liderada por Wania Sant’Anna em colaboração com o escritório Daniel Law. Este guia oferece recomendações, diretrizes legais e orientações práticas para ajudar empresas a construir uma cultura corporativa de proteção às mulheres, abordando a prevenção e a sensibilização. O livro “Vozes que Ocupam”, com crônicas inéditas de importantes lideranças negras, também enriquece o conteúdo artístico e cultural do festival.
Mulheres Negras Liderando: Um Futuro Mais Justo e Representativo
Luna Vitrolira, escritora e comunicadora que participou do encontro, enfatiza o impacto da liderança feminina negra: “Quando uma mulher negra lidera, dificilmente caminha sozinha. Ela abre caminhos, compartilha oportunidades e inspira outras mulheres a acreditarem que também podem ocupar espaços de poder e decisão”. Para ela, incentivar essa liderança é investir em um futuro mais justo, próspero e representativo para toda a sociedade.
Vitrolira também destacou a importância de abordar temas de negócios e liderança com sensibilidade e afeto. “Podemos falar de negócios, liderança, inovação e desenvolvimento sem perder de vista o afeto, a poesia, a escuta”, afirmou. Ela complementa, “O futuro que queremos construir precisa reconhecer a potência das mulheres negras não como exceção, mas como parte essencial do presente. Quando uma mulher negra ocupa o centro da narrativa, toda a sociedade amplia seu horizonte de possibilidades”. A escritora ressaltou que o festival demonstra uma demanda crescente por esses espaços, onde o desenvolvimento vai além do crescimento econômico, englobando acesso à informação, fortalecimento de redes e ampliação de direitos.
Programa Pacto Transforma Acelera Talentos Executivos
O festival também funciona como um polo de atração de talentos para o alto escalão corporativo. Através do Programa Pacto Transforma, 30 executivas selecionadas estão imersas em um programa de aceleração de competências de alta governança, preparando-as estrategicamente para assentos de conselho e cargos de C-Level. Essa iniciativa visa conectar diretamente esse pipeline executivo de elite aos diretores de sustentabilidade e CEOs das organizações parceiras.
A presidente do Conselho Deliberativo do PER, Wânia Sant’Anna, mencionou a relevância de o festival ocorrer próximo ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho. “Nada melhor que falar sobre isso na semana do 25 de julho”, disse. O evento reforça a necessidade de espaços que promovam o desenvolvimento integral e a plena ocupação de espaços de decisão por mulheres negras no Brasil.






