Caso chocante de mãe e filha autista expostas à chuva em João Pessoa impulsiona projeto contra discriminação no transporte por aplicativo

Projeto de Lei visa coibir discriminação no transporte por aplicativo após incidente com criança autista em João Pessoa

Um episódio lamentável em João Pessoa, onde uma mãe e sua filha autista de 3 anos de suporte foram forçadas a sair de um carro de aplicativo sob chuva, reacendeu o debate sobre a necessidade de proteção contra a discriminação no acesso a serviços de transporte. O caso, que viralizou nas redes sociais, evidencia a urgência do Projeto de Lei nº 5.280/2025, de autoria do deputado estadual Michel Henrique, que tramita na Assembleia Legislativa da Paraíba.

A proposta legislativa busca estabelecer salvaguardas claras contra práticas discriminatórias no transporte por aplicativo, abrangendo pessoas com deficiência e indivíduos neurodivergentes. A iniciativa surge como resposta direta a situações como a vivenciada pela família, que reforça a importância de transformar a inclusão e o respeito em garantias legais efetivas.

O incidente ocorreu quando a criança, durante o trajeto para uma terapia, aumentou o volume da música. Apesar da mãe explicar a condição da filha, o motorista teria exigido que ambas deixassem o veículo, mesmo com a chuva caindo. O caso foi registrado na Polícia Civil e a plataforma do serviço foi notificada.

Necessidade de Proteção e Respeito se Torna Evidente

Diante da repercussão do caso, o deputado Michel Henrique ressaltou a importância de garantir que a inclusão não dependa da boa vontade alheia. “Uma mãe não pode precisar implorar para que a condição da filha seja compreendida. Uma criança autista não pode ser submetida a constrangimento por um comportamento relacionado à sua condição. Inclusão não pode depender da boa vontade de ninguém. É preciso haver respeito, responsabilidade e proteção”, afirmou o parlamentar.

Projeto de Lei Amplia Direitos no Transporte por Aplicativo

O Projeto de Lei nº 5.280/2025, proposto por Michel Henrique, visa proibir explicitamente a recusa ou o cancelamento de corridas motivados pela condição do passageiro. A proposta abrange pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Síndrome de Down, e outras condições neurodivergentes. Além disso, o projeto inclui pessoas que utilizam cadeiras de rodas, cão-guia ou necessitam de acompanhante essencial.

Para garantir a efetividade da lei, a proposta também determina que as plataformas de transporte disponibilizem canais acessíveis para que os usuários possam registrar denúncias de discriminação. O projeto prevê ainda a aplicação de penalidades progressivas para motoristas que reincidirem em práticas discriminatórias, que podem variar desde advertência até a suspensão e desvinculação da plataforma.

Acessibilidade e Inclusão como Direitos, Não Favor

Michel Henrique enfatizou que o episódio em João Pessoa demonstra que a discussão sobre acessibilidade e inclusão no transporte por aplicativo é uma realidade urgente para muitas famílias paraibanas. “Esse projeto nasceu para evitar que pessoas com deficiência e famílias atípicas sejam submetidas a situações como essa. O que aconteceu mostra que não estamos falando de uma situação hipotética. É uma realidade que exige resposta e proteção”, reforçou.

O caso reacende a discussão fundamental de que acessibilidade não é um favor, inclusão não é cortesia e respeito é um direito inalienável de todos os cidadãos. A iniciativa legislativa busca assegurar que estes princípios sejam respeitados no cotidiano das pessoas, especialmente ao utilizarem serviços de transporte por aplicativo.

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