Professor Paraibano Tem Nomeação por Cotas na UFPE Anulada por Justiça Federal; Entenda o Caso e Impactos
O professor paraibano Allison Ruan de Morais, de 31 anos, relatou ter tido sua nomeação para o cargo de docente na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), obtida por meio do sistema de cotas raciais, anulada por decisão da Justiça Federal de primeira instância. A decisão, que ainda permite recurso, levanta questões importantes sobre a aplicação das políticas de ações afirmativas em concursos públicos.
Allison Ruan foi aprovado em concurso público para professor do Magistério Superior da UFPE, na área de Engenharia de Processos Químicos e Bioquímicos. Após ser aprovado, passou pela banca de heteroidentificação, foi nomeado, tomou posse e entrou em exercício, antes que a decisão judicial determinasse a anulação de sua nomeação.
A ação que levou à anulação foi movida por uma candidata da ampla concorrência. Segundo a tese apresentada pela autora do processo, como havia apenas uma vaga imediata na subárea específica, esta não poderia ter sido destinada a um candidato aprovado pelo sistema de cotas. Conforme apurado pelo MaisPB, o caso tramita na Justiça Federal sob o número 0003171-34.2026.4.05.8000.
Controvérsia sobre a Aplicação das Cotas Raciais
Segundo o professor Allison, a controvérsia não se refere à sua autodeclaração racial nem ao resultado da banca de heteroidentificação. O cerne da questão reside na forma como a política de cotas é aplicada em concursos para docentes de universidades federais. Ele explica que a UFPE considerou o total de vagas do edital para a reserva, enquanto a ação judicial defende que a reserva deveria ser analisada apenas dentro da subárea específica do concurso.
Para Allison, essa decisão pode ter um impacto significativo nas políticas de ações afirmativas em concursos públicos. Ele expressou sua preocupação em uma publicação nas redes sociais, afirmando que “o problema não é só meu. Quando a presença de uma pessoa negra aprovada por cotas pode ser questionada até depois da nomeação, toda a política de ações afirmativas fica ameaçada”.
Recurso e Compromisso da UFPE com Ações Afirmativas
O professor considera a interpretação jurídica que baseou a decisão como “frágil” e em desacordo com a legislação atual sobre ações afirmativas. Ele já informou que irá recorrer da sentença. O Ministério Público Federal em Pernambuco (MPF-PE) informou que o caso está tramitando na Justiça Federal de Alagoas e que atuou apenas como fiscal da lei.
Em nota enviada ao MaisPB, a UFPE reafirmou seu compromisso com a implementação das políticas de ações afirmativas, sempre observando a legislação vigente e as regras dos editais de seus concursos públicos. A universidade esclareceu que a anulação da nomeação não foi uma decisão administrativa interna, mas sim o cumprimento de uma determinação judicial.
Cumprimento de Decisão Judicial e Análise Processual
A UFPE ressaltou que, como órgão da Administração Pública, tem o dever legal de cumprir decisões judiciais, independentemente da possibilidade de recurso. A instituição informou ainda que, por se tratar de um processo judicial em andamento, não se manifestará sobre o mérito da decisão nem sobre as medidas processuais cabíveis, que estão sendo avaliadas pela Procuradoria Federal junto à UFPE.
O MaisPB buscou contato com a Justiça Federal de Alagoas para obter mais informações sobre o caso, mas até o fechamento desta matéria, não obteve resposta. A situação evidencia a complexidade e os desafios na aplicação das cotas raciais e a importância do debate sobre o tema para a garantia da igualdade de oportunidades.


