Inflação 2024: IPCA recua para 0,07% em julho e volta para meta do governo, alimentos ficam mais baratos

Inflação oficial, o IPCA, registra 0,07% em julho, aliviando os bolsos e retornando à meta do governo. A queda nos preços de alimentos e bebidas foi o principal fator.

A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), surpreendeu positivamente ao registrar uma taxa de 0,07% em julho. Este resultado representa o menor índice mensal desde agosto de 2025 e o menor para o mês de julho desde 2022.

A desaceleração da inflação em julho, que já vinha em trajetória de queda há quatro meses consecutivos, trouxe o acumulado em 12 meses para 4,44%. Este percentual está de volta dentro da meta estabelecida pelo governo, que varia entre 1,5% e 4,5%.

A queda nos preços dos alimentos foi o grande destaque do mês, exercendo um impacto significativo na desaceleração do IPCA. Conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grupo alimentação e bebidas apresentou uma deflação de 0,67%.

Alimentos mais baratos impulsionam queda da inflação

A alimentação especificamente no domicílio teve uma redução de 1,14% em julho, sendo puxada pela forte queda em subgrupos como tubérculos, raízes e legumes, que registraram uma diminuição de 16,15%. Itens como tomate (-29,09%), batata-inglesa (-19,59%) e cenoura (-14,41%) foram os que mais contribuíram para essa redução.

O café moído também seguiu a tendência de queda, com uma redução de 2,45%. O IBGE ressalta que a queda acumulada em 12 meses para o café (-17,2%) é a maior desde o início do Plano Real, em 1994. Segundo o analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, essa queda nos preços dos alimentos é reflexo de uma maior oferta de produtos, beneficiada por condições climáticas mais favoráveis.

Energia elétrica e passagens aéreas puxam a inflação para cima

Apesar da desaceleração geral, alguns itens registraram alta em julho. A energia elétrica, por exemplo, teve um aumento de 3,09%, sendo o principal impacto individual de alta no mês, com 0,13 ponto percentual. Esse reajuste foi influenciado por aumentos nas tarifas em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba.

No grupo de transportes, as passagens aéreas apresentaram o maior aumento, com uma elevação de 11,67%. Por outro lado, os combustíveis registraram queda, com destaque para o etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%) e óleo diesel (-1,22%).

IPCA retorna à meta do governo em julho

O retorno do acumulado de 12 meses do IPCA para dentro da meta do governo é um alívio para a economia. Em abril, o índice estava em 4,39%, mas havia extrapolado o teto em maio (4,72%) e junho (4,64%). Com o resultado de julho, a meta de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, volta a ser respeitada.

O índice de difusão em julho, que mede a disseminação dos aumentos de preço, ficou em 50%, indicando que metade dos 377 itens pesquisados pelo IBGE tiveram alta. A expectativa é que a conta de luz possa apresentar uma melhora em agosto com a aplicação do Bônus Itaipu, já aprovado pela Aneel.

Entenda o IPCA e sua importância

O IPCA é o principal índice oficial de inflação no Brasil e é utilizado pelo governo para avaliar o cumprimento das metas de inflação. Ele reflete o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos, coletando preços de 377 subitens em dez regiões metropolitanas e em algumas capitais.

A análise do IPCA é fundamental para a tomada de decisões de política monetária pelo Banco Central, influenciando taxas de juros e outras medidas para controlar a inflação e manter a estabilidade econômica do país.

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