Governo Federal estuda mudanças no Programa Move Brasil para turbinar adesão de motoristas de aplicativo e taxistas

Fazenda analisa mudanças no crédito para motoristas de aplicativo e taxistas

O Ministério da Fazenda está em fase de análise para implementar alterações no Programa Move Brasil, iniciativa voltada para motoristas de aplicativo e taxistas. Lançado em 27 de julho, o programa visa oferecer linhas de crédito com juros reduzidos para a aquisição de veículos.

O objetivo principal das mudanças é **aumentar a adesão ao programa**, especialmente por parte das instituições financeiras privadas. A avaliação considera ajustes legais e na integração com as plataformas digitais para facilitar o acesso a informações sobre a renda dos trabalhadores.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o governo busca entender os motivos da menor participação dos bancos privados, apesar das garantias oferecidas. A intenção é tornar o programa mais atrativo e, consequentemente, ampliar o volume de financiamentos concedidos.

Conforme informação divulgada pelo Ministério da Fazenda, a equipe econômica avalia alterações para ampliar a participação de bancos privados no programa de crédito. O ministro Dario Durigan destacou que existem possibilidades de mudanças, tanto no âmbito legal quanto na colaboração com as instituições financeiras e plataformas digitais.

Adesão abaixo do esperado e busca por soluções

O Programa Move Brasil, que permite o financiamento de carros novos de até R$ 150 mil, além de seminovos, motocicletas e bicicletas, tem contado com maior participação de bancos públicos como Banco do Brasil e Caixa. Instituições privadas, por outro lado, demonstram menor interesse em oferecer crédito dentro do programa.

“O que a gente tem visto é uma participação maior dos bancos públicos, do Banco do Brasil e da Caixa, com menos apetite por parte dos bancos privados”, afirmou Durigan. Ele ressaltou que o governo está em contato constante com essas instituições para compreender as razões da baixa adesão, mesmo com a garantia governamental.

Apesar do desempenho inicial aquém das expectativas, o ministro reconheceu que o volume de operações realizadas até o momento é relevante. Ele expressou otimismo quanto à possibilidade de melhorias nas condições e aumento na concessão de crédito nos próximos meses.

Aprimoramento da integração com plataformas e renda

Uma das frentes de estudo para aprimorar o Move Brasil envolve a **integração com as plataformas digitais** utilizadas pelos motoristas. O foco é facilitar o acesso a informações cruciais, como a comprovação de renda dos trabalhadores, o que pode agilizar e simplificar o processo de solicitação de crédito.

O ministro Durigan explicou que a equipe econômica pretende testar possíveis ajustes diretamente com os bancos privados. A ideia é verificar se essas mudanças podem resultar em um aumento significativo no volume de financiamentos concedidos para a aquisição de veículos. O desempenho geral dos programas de crédito lançados pelo governo é considerado positivo, mas o Move Brasil ainda apresenta um resultado inferior ao projetado.

Outros programas de crédito em análise

Durante a reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além do Move Brasil, os ministros também revisaram o desempenho de outros programas de crédito recentes. Foram discutidas linhas de financiamento para caminhões e ônibus, aquisição de motocicletas, o programa Desenrola e outras medidas de apoio a trabalhadores e empresas.

Brasil e EUA: negociações sobre tarifas e Lei de Reciprocidade

Em outro ponto abordado, o ministro da Fazenda comentou sobre a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica em relação às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Durigan afirmou que a medida não deve prejudicar as negociações diplomáticas com Washington. O governo brasileiro iniciou o processo de avaliação para adotar medidas de reciprocidade diante da tarifa de 37,5% sobre produtos brasileiros.

“A disposição por negociação é completa do nosso lado”, assegurou Durigan, indicando a abertura para o diálogo. Ele também mencionou que a adoção do mecanismo de reciprocidade, feita com cautela e ouvindo os setores afetados, pode, inclusive, **contribuir para as tratativas** com os Estados Unidos, sem atrapalhar o processo negocial.

A análise em curso, baseada na Lei 15.122/2025 (Lei da Reciprocidade Econômica), visa avaliar os impactos das ações unilaterais americanas nas exportações brasileiras. O governo também estuda outras ações de apoio aos setores prejudicados, como a possível extensão do regime de drawback, que visa reduzir ou suspender tributos sobre insumos para exportação.

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