Divisão política na Paraíba com candidatos em diferentes frentes eleitorais.

Eleições na Paraíba: Racha na base governista fragmenta disputa em três polos distintos, com apoio de Lula e oposição a Bolsonaro

Disputa pelo governo da Paraíba se divide em três frentes após racha na base governista. Governador busca reeleição com apoio do PT e Lula, enquanto MDB e PL lançam candidaturas próprias.

Eleições na Paraíba em xeque com cisão na base governista abrindo caminho para três candidaturas distintas no estado

A disputa pelo governo da Paraíba se reorganizou em três frentes após um rompimento significativo na base que antes apoiava João Azevêdo (PSB). O atual governador, Lucas Ribeiro (PP), busca a reeleição com o suporte do ex-governador, do PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de partidos alinhados a Hugo Motta (Republicanos-PB). O cenário se complexifica com a candidatura própria de Cícero Lucena (MDB), ex-prefeito de João Pessoa, e a ascensão do senador Efraim Filho (PL), representante do bolsonarismo na corrida estadual. A cisão se tornou mais evidente em 2 de abril, quando Azevêdo renunciou ao governo para disputar o Senado, passando o cargo ao então vice, Lucas. No mesmo dia, Cícero deixou a prefeitura da capital para concorrer ao Palácio da Redenção.

O racha, contudo, já dava sinais desde setembro de 2025, quando Cícero Lucena deixou o PP e manifestou sua intenção de concorrer ao governo. Lucas Ribeiro, aos 37 anos, lidera uma coalizão de 12 partidos, incluindo PP, PT, Republicanos, PSB e União Brasil. Na última terça-feira (18), ele recebeu um endosso de peso de Luiz Inácio Lula da Silva, que gravou um vídeo solicitando votos para a permanência de Lucas no cargo. O governador também conta com o apoio do grupo político de Hugo Motta, presidente da Câmara. Embora o Republicanos adote neutralidade nacionalmente, a legenda paraibana declarou apoio à reeleição de Lucas e integra a chapa governista.

A aliança em torno de Lucas Ribeiro possui fortes laços familiares. Ele é filho da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) e sobrinho do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Daniella abriu mão de disputar um novo mandato para ser a primeira suplente de Nabor Wanderley (Republicanos), que concorre ao Senado na mesma chapa de Lucas e é pai de Hugo Motta. João Azevêdo figura como outro nome do grupo na disputa pelo Senado.

Cícero Lucena tenta se consolidar como uma alternativa viável no cenário eleitoral. Sua saída do grupo governista ocorreu após Lucas Ribeiro ser apontado como o sucessor natural de Azevêdo. Após deixar o PP, filiou-se ao MDB e renunciou à prefeitura de João Pessoa em abril para viabilizar sua candidatura estadual. Ex-senador e com quatro mandatos como prefeito da capital, Cícero aposta em sua força eleitoral em João Pessoa para impulsionar sua campanha pelo governo. Sua chapa conta com Diogo Cunha Lima (PSD) como vice e Veneziano Vital do Rêgo (MDB) entre os candidatos ao Senado.

A presença de Veneziano Vital do Rêgo na chapa de Cícero cria uma situação peculiar em relação aos alinhamentos nacionais. Embora Lula apoie Lucas Ribeiro para o governo, também manifestou apoio à reeleição do senador Veneziano. Adicionalmente, o presidente apoia João Azevêdo em sua candidatura ao Senado pela chapa adversária de Lucas. Essa dinâmica evidencia que os posicionamentos nacionais não se replicam integralmente no âmbito estadual.

O senador Efraim Filho (PL) emerge como o terceiro polo da disputa, concentrando esforços em aglutinar o eleitorado de direita. Ele se apresenta como o principal candidato diretamente ligado ao bolsonarismo e à futura candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

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