
Petrobras eleva preço do QAV em 13,9% e setor aéreo sente impacto direto; entenda os motivos por trás da alta
A Petrobras anunciou um novo aumento no preço do querosene de aviação (QAV), com um reajuste médio de 13,9%. A medida, que entrou em vigor nesta terça-feira (1º), reflete as tensões geopolíticas no Oriente Médio e seus efeitos na logística global do petróleo.
O combustível, essencial para o funcionamento de aviões e helicópteros, passa a custar, em média, R$ 0,68 a mais por litro. Nas refinarias da estatal, o novo valor do QAV varia entre R$ 5,44 e R$ 5,70 por litro, dependendo da localidade.
Esta alta já contribui para um aumento acumulado de 53,3% no preço do QAV desde o início do ano, o que representa um acréscimo de R$ 1,94 por litro. Conforme informação divulgada pela Petrobras, o reajuste “reflete a elevação das cotações internacionais do Querosene de Aviação, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio”.
Guerra no Oriente Médio e o impacto na logística do petróleo
A instabilidade gerada pela guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, tem provocado perturbações significativas na cadeia logística da indústria do petróleo. Um dos pontos cruciais é o Estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20% da produção internacional de óleo e gás antes do conflito.
A menor oferta de petróleo no mercado global, decorrente dessas dificuldades logísticas, tem levado a uma disparada nos preços das commodities energéticas. O Brasil, apesar de ser um produtor de petróleo, tem seus derivados atrelados às cotações internacionais, pois são considerados commodities.
Histórico de reajustes e medidas para mitigar o impacto
O ano de 2023 tem sido marcado por volatilidade nos preços do QAV. Em abril, o combustível sofreu um aumento de 55%, seguido por uma alta de 18% em maio. Naquele período, a Petrobras permitiu que as distribuidoras parcelassem o reajuste para amenizar o impacto financeiro nas companhias aéreas.
Houve também períodos de redução no preço, em junho e julho, quando os Estados Unidos e o Irã se aproximaram de um acordo. No entanto, em agosto, o preço voltou a subir 1,9%, e agora em setembro, o novo aumento se soma a essa tendência.
A Petrobras afirma que o preço do QAV no Brasil segue uma “fórmula paramétrica contratual que atua como amortecedor de curto prazo, resultando em ajustes mais moderados do que os observados nos mercados internacionais”.
Programa de parcelamento é retomado para aliviar companhias aéreas
Para atenuar os efeitos do recente aumento, a Petrobras confirmou a retomada do programa de parcelamento dos reajustes em setembro. Essa iniciativa permitirá que as distribuidoras dividam o aumento em três parcelas mensais.
A estatal assegura que todo o volume solicitado pelas distribuidoras está garantido, demonstrando compromisso com o abastecimento do mercado. O combustível representa aproximadamente 30% das despesas operacionais das companhias aéreas brasileiras, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Cadeia de venda do QAV no mercado brasileiro
A Petrobras comercializa o QAV para as distribuidoras, seja o produto fabricado em suas refinarias ou o importado. As distribuidoras, por sua vez, são responsáveis pelo transporte do combustível e sua venda para companhias de transporte, outros consumidores finais em aeroportos ou revendedores.
Embora a Petrobras detenha cerca de 85% da produção de QAV, o mercado é aberto à livre concorrência, permitindo que outras empresas atuem como produtoras ou importadoras sem restrições. A dinâmica do mercado, no entanto, permanece influenciada pelos preços internacionais e eventos geopolíticos globais.





