Escolas da Bahia e Pará Brilham em Prêmio Nacional de Sustentabilidade com Projetos Inovadores

Inovações Sustentáveis de Escolas Baianas e Paraenses Ganham Destaque Nacional

A busca por soluções sustentáveis nas escolas brasileiras tem gerado resultados notáveis. A 4ª edição do Prêmio Escolas Sustentáveis, realizada em Salvador (BA), reconheceu projetos criativos e acessíveis desenvolvidos por professores e estudantes da educação básica. As iniciativas premiadas demonstram o poder da educação em transformar desafios locais em oportunidades de aprendizado e impacto positivo.

Esses projetos, que vão desde a criação de armadilhas de baixo custo contra mosquitos até programas de intercâmbio educativo focados em sustentabilidade, mostram a diversidade e o potencial das soluções desenvolvidas em diferentes regiões do Brasil. Eles não apenas abordam problemas ambientais e de saúde pública, mas também promovem o desenvolvimento integral dos estudantes.

O prêmio, uma iniciativa da Fundação Santillana, Santillana e da Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), tem como objetivo valorizar e disseminar práticas escolares que contribuam para um futuro mais sustentável. Conforme divulgado, a proposta é mostrar que a sustentabilidade se manifesta em ações próximas a nós, impulsionadas pela criatividade de estudantes e educadores.

Casa da Infância (BA): Conectando Culturas e Soluções Sustentáveis

Na categoria que abrange a educação infantil e os primeiros anos do ensino fundamental, a escola privada Casa da Infância, de Salvador (BA), foi a grande vencedora. Seu projeto, intitulado “Infância, Sustentabilidade e Cidades Educadoras”, estabelece um intercâmbio educativo e sustentável entre quatro escolas no Brasil e na Colômbia.

O programa envolve ativamente estudantes, educadores e comunidades em ações como a coleta de resíduos, compostagem, hortas escolares e o reaproveitamento de materiais. Além disso, realiza o mapeamento da biodiversidade local, articulando educação ambiental, gestão de resíduos e consumo responsável por meio de atividades e trocas de experiências entre escolas com realidades urbanas e rurais distintas.

O intercâmbio inclui encontros presenciais e virtuais, além da troca de cartas e conteúdos em português, espanhol e inglês, promovendo o compartilhamento de boas práticas. Marília Dourado, gestora da Casa da Infância, destacou a importância do projeto para a abertura ao diálogo com o diferente e a compreensão de potências em realidades distintas. “A gente percebeu as crianças muito abertas, inclusive com repertório de literatura, de questões raciais”, afirmou.

O projeto já proporcionou imersões em ecossistemas como a Caatinga e a Mata Atlântica, além da participação em seminários internacionais. Segundo a instituição, cerca de 2 mil pessoas foram impactadas positivamente pelas ações, demonstrando o alcance e a relevância do projeto para além dos muros da escola.

EcoLuz Trap (PA): Tecnologia Paraense Contra Doenças Transmitidas por Mosquitos

No segmento para os anos finais do ensino fundamental, ensino médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA), o projeto EcoLuz Trap – Tecnologia de Baixo Custo contra Vetores de Doenças na Amazônia, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), Campus Marabá Industrial, foi o vencedor.

O projeto consiste em um protótipo de armadilha luminosa de baixo custo, desenvolvido por estudantes para combater mosquitos vetores de doenças sem a necessidade de inseticidas. A tecnologia utiliza materiais reaproveitados, como latas, fios e componentes eletrônicos, tornando a solução acessível e replicável em comunidades com recursos limitados.

O professor Rígel Contente, que liderou a iniciativa, explicou que o ponto de partida foi a discussão com os alunos sobre o incômodo causado pelos mosquitos em suas residências, especialmente em áreas periféricas de Marabá. A partir daí, os estudantes realizaram o diagnóstico do problema, a construção de protótipos e testes com diferentes cores de LED para identificar os insetos capturados.

A estrutura da armadilha é feita com materiais simples, como lata de leite, tela, tampas de garrafa e fonte de energia de aparelhos descartados, complementada por um pequeno ventilador e lâmpadas. O professor ressaltou que o projeto aproximou os alunos da ciência, tecnologia e sustentabilidade, incentivando-os a encontrar soluções para problemas concretos. “Os alunos também tiveram experiência com estatística, saber o que é uma média, o que é um índice, fazer gráficos e tabelas. E tem a questão de saber identificar os mosquitos, então o aluno tem que conhecer a zoologia”, explicou.

O projeto EcoLuz Trap alcançou aproximadamente 3,5 mil pessoas, impactando a comunidade escolar e com planos de extensão para levar a tecnologia a mais famílias. A iniciativa, além do aprendizado científico e técnico, promoveu o desenvolvimento de habilidades em estatística e zoologia entre os estudantes.

O Prêmio Escolas Sustentáveis e Seu Impacto

Nesta edição, dez projetos foram finalistas, competindo em diversas categorias. As escolas campeãs receberam um prêmio em dinheiro e a oportunidade de participar da etapa internacional do concurso, que ocorrerá na Cidade do México. O Prêmio Escolas Sustentáveis é uma plataforma importante para destacar e inspirar ações que promovam a sustentabilidade em ambientes educacionais.

Luciano Monteiro, diretor executivo da Fundação Santillana no Brasil, enfatizou a missão do prêmio em reconhecer o trabalho das escolas em prol da sustentabilidade. “A ideia é mostrar que sustentabilidade não é só meta global, grandes projetos internacionais. Sustentabilidade é algo que acontece perto de nós também. Isso acontece quando estudantes, professores, crianças, olham situações da sua comunidade e pensam em estratégias para corrigi-las”, declarou.

O site do prêmio funciona como um repositório de boas práticas e tecnologias, incentivando outras escolas a conhecerem, replicarem e adaptarem essas soluções à sua própria realidade, fortalecendo a rede de inovação sustentável no país.

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