
Os rumos da gestão de Lucas Ribeiro na Paraíba dependem de decisões estratégicas em segurança, economia e na articulação com o governo federal
O início do novo mandato de Lucas Ribeiro à frente do governo da Paraíba coloca em pauta questões centrais como segurança pública, gestão de contas e políticas sociais. A análise, segundo o portal G1, conta com as contribuições do cientista político Gonzaga Júnior e do sociólogo Jomário Pereira sobre os pilares que devem sustentar os próximos quatro anos da administração estadual.
Formação de equipe e articulação política
A composição do secretariado é vista como o primeiro passo para o governador imprimir sua identidade administrativa. Embora o governo siga uma linha de continuidade, a necessidade de renovação é um movimento esperado.
“O primeiro desafio de Lucas é a composição da equipe, dos seus auxiliares, que são as secretarias. Embora venha de um governo de continuidade, há uma tendência sempre nesse início de novo mandato de Lucas compor uma nova equipe para imprimir sua marca”, explica Gonzaga Júnior.
No campo legislativo, o cenário político parece favorável. O fortalecimento da bancada do partido de Ribeiro e o alinhamento com legendas que já integram a base facilitam a governabilidade na Assembleia Legislativa da Paraíba. No entanto, a relação com o Governo Federal permanece como um ponto de atenção, especialmente pela necessidade de garantir a continuidade de programas sociais e investimentos estruturantes.
Combate ao crime organizado
A segurança pública surge como um tema de extrema urgência devido ao avanço das facções criminosas. Dados do Conselho Nacional de Justiça, citados pela Rádio CBN Paraíba, revelam um salto expressivo no volume de processos judiciais envolvendo organizações criminosas no estado entre 2020 e 2025.
Especialistas apontam que a estratégia deve ir além do trabalho policial. É necessário fortalecer a inteligência das forças de segurança e garantir a presença do Estado em áreas vulneráveis.
“À medida que o Estado fica ausente nesses territórios onde há presença das facções, esse poder paralelo ocupa os espaços deixados pela ausência do Estado”, ressalta Gonzaga Júnior. Já Jomário Pereira defende que o combate precisa atingir a estrutura financeira desses grupos: “Na questão da infraestrutura do crime, na lavagem de dinheiro e na prisão dos chefões, apenas com inteligência reforçada seremos capazes de amenizar”.
Gestão fiscal e desenvolvimento regional
O equilíbrio entre investimentos públicos e a saúde das contas estaduais é outro desafio. Com um cenário econômico global que sugere cautela, o governo precisará priorizar demandas fundamentais, como a infraestrutura hídrica, em uma região onde quase 80% do território está no semiárido.
A descentralização de recursos também é apontada como essencial para reduzir desigualdades. Para Jomário Pereira, as necessidades da Região Metropolitana de João Pessoa e de Campina Grande diferem das demandas do Sertão e do Cariri, exigindo políticas regionalizadas para saúde, educação e geração de emprego.


