Primeira-dama da Paraíba chora e rebate deputada eleita que nega feminicídio: “Assustador”

Camila Mariz, primeira-dama da Paraíba, emociona ao defender a existência do feminicídio e criticar fala de deputada eleita

A primeira-dama da Paraíba, Camila Mariz, manifestou profunda tristeza e indignação ao comentar declarações da deputada estadual eleita por São Paulo, Eduarda Campopiano (PL), que questionou a existência do feminicídio.

Camila Mariz, que é vítima direta da violência de gênero, tendo sua mãe sido assassinada em um caso de feminicídio, descreveu a opinião da parlamentar como “assustadora” e fez um apelo pela conscientização.

A fala da primeira-dama ocorreu durante a abertura da edição Nordeste do evento “Mulheres que Pensam o Brasil”, em Recife. Conforme informação divulgada pela assessoria do evento, a declaração reforça a importância de políticas públicas e de empatia no combate à violência contra a mulher.

A dor que impulsiona a luta

Com a voz embargada, Camila Mariz compartilhou sua experiência pessoal e como a perda trágica de sua mãe a motivou a dedicar-se ao serviço público e à defesa das mulheres.

“Aos dez anos de idade, minha mãe foi vítima de feminicídio. Então você abrir uma televisão hoje e você ver uma mulher falar que feminicídio não existe é assustador. E ouvir alguém eleita pela vontade do povo, pela democracia, dizer que feminicídio é uma conjunção, arranjo semântico, é assustador. Que mundo meus filhos vão viver?”, questionou a primeira-dama.

Dados alarmantes sobre feminicídio no Brasil

A coordenadora do programa “Antes que Aconteça”, voltado para o enfrentamento da violência contra o público feminino na Paraíba, ressaltou os dados preocupantes sobre a violência no país.

“São quase cinco mulheres mortas no Brasil por dia, vítimas de feminicídio. E a gente só sabe o que é a realidade do outro quando a gente se abre para entender e para ouvir, por mais diferente que seja da nossa”, complementou Camila Mariz.

Um chamado à união e proteção

Em seu pronunciamento, Camila Mariz enfatizou a necessidade de união de forças em prol das mulheres, independentemente das diferenças.

“Eu fiz questão de abrir mão de um silêncio histórico na minha vida para abraçar outras pessoas. A nossa luta sempre foi pela sobrevivência. Não importa as nossas diferenças, o que importa é a gente dar voz, unir forças por outras e defender a união e a proteção das mulheres na política”, declarou.

Ela concluiu reforçando que “cuidar das mulheres e garantir a inclusão é dever de qualquer sociedade que pretende ser minimamente justa”.

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