um ano de espera: família e amigos aguardam julgamento de brutal assassinato em campina grande

Um ano de espera: Família e amigos aguardam julgamento de brutal assassinato em Campina Grande

Um ano de espera por justiça: caso brutal em Campina Grande ainda sem julgamento

Um ano se passou desde que o produtor cultural e dançarino Admilson Julião Martins, de 53 anos, conhecido como Maia, foi brutalmente assassinado em Campina Grande, na Paraíba. O crime, que chocou a região pela crueldade, completa doze meses sem que o autor confesso tenha sido levado a júri popular. Alex Fernandes de Oliveira, que tinha 18 anos na época do crime e hoje tem 19, confessou o assassinato, mas um pedido de avaliação de sanidade mental tem adiado o julgamento.

O crime que chocou a Paraíba

O corpo de Admilson Julião Martins foi encontrado em 21 de dezembro de 2024, em um terreno no bairro Estação Velha. A cena era chocante: a vítima apresentava múltiplas perfurações por arma branca, sinais de extrema violência e, em um ato de crueldade inimaginável, teve o coração arrancado. Pedras foram colocadas no local onde o órgão foi retirado, um detalhe que chocou até mesmo os investigadores mais experientes.

Os pertences pessoais e joias da vítima foram encontrados no local, o que rapidamente afastou a hipótese de latrocínio, roubo seguido de morte. A Polícia Civil classificou o caso como um crime bárbaro e cruel, dada a violência extrema empregada na execução. A rápida ação da polícia resultou na prisão de Alex Fernandes de Oliveira cinco dias após o crime, em 26 de dezembro de 2024, na cidade de Ingá. Na ocasião, o jovem tinha 18 anos.

Durante o interrogatório, Alex Fernandes de Oliveira confessou o assassinato e apresentou sua versão dos fatos à polícia. O inquérito policial, conduzido pela delegada Renata Dias, foi elogiado pelo Judiciário pela celeridade na elucidação do crime e na coleta de provas. O Ministério Público da Paraíba ofereceu denúncia contra o acusado em 9 de fevereiro de 2025, e a Justiça recebeu formalmente o pedido em 13 de fevereiro de 2025, avançando o caso para a fase de instrução criminal. O processo tramita no 2º Tribunal do Júri de Campina Grande e, por não correr em segredo de Justiça, as informações são públicas.

A tese de insanidade mental e o adiamento do julgamento

Apesar do avanço inicial do processo, o julgamento foi adiado após a Defensoria Pública do Estado da Paraíba levantar a tese de insanidade mental do réu. A defesa solicitou a instauração de um incidente de sanidade mental, alegando dúvidas sobre a integridade psíquica do acusado. Caso o pedido fosse aceito, o processo poderia ser suspenso.

O pedido foi analisado em audiências de instrução realizadas em setembro e outubro de 2025. O Ministério Público, representado pela promotora Juliana Lima, não acatou a tese da defesa, entendendo que não havia elementos suficientes para caracterizar a incapacidade mental do acusado. Contudo, uma juíza substituta determinou a realização de diligências complementares, solicitando laudos do CAPS que acompanhava o acusado na cidade de Ingá.

Laudos médicos afastam insanidade e apontam transtorno de ansiedade

Em 1º de dezembro de 2025, uma equipe da Secretaria de Saúde de Campina Grande realizou uma avaliação clínica de Alex Fernandes de Oliveira dentro da penitenciária. O laudo oficial, encaminhado à Justiça em 7 de dezembro, concluiu que não há sinais de psicopatia ou transtornos mentais graves, e que o acusado tinha **plena capacidade de compreender o caráter ilícito do crime**. Segundo os profissionais de saúde, o jovem apresenta apenas transtorno de ansiedade, associado ao uso abusivo de drogas, como maconha, crack e cocaína. A interrupção abrupta do consumo após a prisão teria intensificado os sintomas, mas sem comprometer a consciência dos atos praticados.

Com a rejeição da tese de insanidade mental e a manutenção da prisão preventiva de Alex Fernandes de Oliveira, que permanece recolhido na Penitenciária Regional Padrão de Campina Grande, o processo não foi suspenso. No entanto, o recesso do Judiciário impediu a marcação imediata do julgamento. A expectativa é que, com o retorno das atividades forenses, o 2º Tribunal do Júri de Campina Grande marque o júri popular de Alex Fernandes de Oliveira ainda em 2026. Enquanto isso, um ano após o crime, o caso segue como símbolo de brutalidade, dor e espera por justiça para familiares, amigos e para a comunidade cultural de Campina Grande.

Histórico criminal do acusado

Alex Fernandes de Oliveira, natural de Serra Redonda, residia em Ingá e costumava circular por Campina Grande, especialmente durante a noite. Ele já possuía passagens anteriores pela polícia: em 6 de novembro de 2020, aos 14 anos, foi apreendido por furto de equipamentos de vigilância em Ingá. Em 19 de abril de 2024, meses antes do homicídio, foi vítima de uma tentativa de homicídio após dívida com traficantes, sendo baleado e sobrevivendo ao ataque.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *