Paulistanos Buscam Renda Extra em Apostas Online: Estudo Revela Crescimento e Impacto Socioeconômico das Bets

Paulistanos apostam mais para aumentar a renda: estudo revela crescimento e desafios

A busca por uma renda extra tem levado um número crescente de paulistanos a apostar em plataformas online. Um estudo recente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) indica que a proporção de moradores da capital que utilizam as chamadas ‘bets’ para obter um ganho rápido aumentou significativamente em apenas dois anos.

O fenômeno das apostas online, impulsionado pela forte exposição nas redes sociais e pela facilidade de acesso via smartphones, tem impactado a dinâmica socioeconômica da cidade. A popularização dos pagamentos instantâneos, como o Pix, também contribui para a adesão a essas plataformas.

Esses dados levantam questões importantes sobre o comportamento do consumidor e a necessidade de atenção às implicações financeiras e sociais dessas atividades. A FecomercioSP alerta para o consumo de risco por parte de populações em vulnerabilidade financeira.

Conforme divulgado pela FecomercioSP, a proporção de paulistanos que apostam em plataformas online para ter um aumento rápido da renda doméstica aumentou dez pontos percentuais entre 2024 e 2026. O estudo ouviu 600 pessoas entre os dias 4 e 8 de maio de 2026.

Aumento expressivo na busca por renda extra

Os números da pesquisa revelam que 35% dos entrevistados declararam apostar com o objetivo de aumentar sua renda, um salto considerável em relação aos 25% registrados em 2024. Essa tendência é ainda mais acentuada entre as faixas de menor renda.

Entre os que ganham até dois salários mínimos (cerca de R$ 3 mil), 40% apostam para complementar o orçamento doméstico. Essa porcentagem diminui para 30% entre aqueles com renda entre dois e cinco salários mínimos e para 29% nas famílias com rendimentos entre cinco e dez salários.

A FecomercioSP avalia que ‘pessoas em situação de vulnerabilidade financeira têm recorrido cada vez mais a esse tipo de consumo de risco, como uma maneira de superar as condições difíceis do orçamento’. A federação analisa ainda que ‘as classes baixas e médias dizem se valer das plataformas com mais ênfase do que aquelas de rendimentos mais altos, pois são essas faixas que mais demandam a expansão da própria renda’.

Mudança nos hábitos de consumo e gastos com apostas

A pesquisa também aponta para uma mudança na destinação dos recursos que seriam utilizados caso as plataformas de apostas não existissem. Atualmente, 26% dos paulistanos afirmam que guardariam o dinheiro se não apostassem, um aumento em relação aos 19% de dois anos atrás. Uma parcela significativa usaria os recursos para despesas essenciais, como pagar contas domésticas (14%) e comprar alimentos (13%).

Observa-se uma diferença de gênero nos destinos do dinheiro: mulheres indicaram usar mais para comprar comida (18%) e pagar contas (18%), enquanto homens mencionaram guardar mais (28%) em comparação com as mulheres (18%). A federação comenta que ‘as apostas disputam, agora, um espaço que antes estava ocupado pelo consumo tradicional das famílias, em atividades como o comércio, a alimentação e os serviços, mas também à organização financeira dessas apostas’.

Em relação aos gastos mensais, 54% dos entrevistados não gastam mais do que R$ 50 por mês em apostas. Outros 16% gastam até R$ 100, e 12% investem até R$ 200 nas plataformas.

Empréstimos para apostar: um sinal de alerta

Um dado preocupante revelado pelo estudo é que 12% dos paulistanos já buscaram algum tipo de ajuda financeira para continuar apostando. Desse total, 5% pediram dinheiro emprestado a amigos ou familiares, e 4% recorreram a empréstimos bancários.

A FecomercioSP destaca que ‘esse é um dos dados mais sensíveis da pesquisa, uma vez que revela que um em cada dez paulistanos já teve problemas financeiros ao apostar e precisou recorrer a terceiros para regularizar a situação’.

Essa situação ocorre em um cenário econômico desafiador, marcado pelo endividamento. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Federação indicou que, em abril, 72,9% das famílias paulistanas estavam endividadas, o maior nível em três anos, com 21% delas inadimplentes.

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