Finep Investe R$ 15,2 Milhões para Revolucionar a Produção de Malva na Amazônia, Gerando Renda e Valor Agregado

A malva, planta nativa da Amazônia, receberá um impulso significativo em sua cadeia produtiva graças a um investimento de R$ 15,2 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O projeto, liderado pela Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), visa modernizar desde o plantio até a fabricação de produtos têxteis de maior valor agregado.

A iniciativa promete transformar a realidade das famílias ribeirinhas que extraem a fibra da malva, tradicionalmente utilizada na fabricação de sacarias agrícolas, cordas e tapetes. Com a introdução de novas tecnologias, espera-se melhorar as condições de trabalho, aumentar a produtividade e abrir novos mercados para os produtos derivados da malva.

O projeto aborda desafios históricos como a baixa tecnificação no cultivo e beneficiamento da planta, que limitam o potencial econômico da malva. A expectativa é que, ao final, a produção resulte em uma fibra mais nobre e competitiva, conforme divulgado pela Finep.

A Malva em Destaque e os Desafios da Cadeia Produtiva

A fibra de malva ganhou notoriedade recentemente quando um vestido confeccionado pela CTC, combinando juta e malva, foi usado pela atriz Alice Carvalho no Oscar. Tradicionalmente, porém, seu uso se restringia a produtos de menor valor agregado, como sacarias e cordas.

O cultivo da malva segue um ciclo natural ligado aos rios amazônicos. As sementes são lançadas nos leitos quando as águas baixam, e a colheita ocorre no início da cheia. Após o corte, as plantas são deixadas de molho para amolecer e, em seguida, as fibras são retiradas e secas artesanalmente.

A falta de infraestrutura adequada para colheita, transporte, secagem, prensagem e armazenamento gera riscos e prejuízos para os produtores. A restrição de compradores e o uso limitado do produto final também são entraves significativos para o desenvolvimento dessa cadeia produtiva.

Inovação e Tecnologia para o Futuro da Malva

O projeto financiado pela Finep contempla uma série de ações inovadoras. Estão previstos estudos para aprimoramento das espécies de malva, desenvolvimento de maquinário específico para colheita e separação de sementes, e a criação de infraestrutura digital para gestão do cultivo.

Adicionalmente, serão avaliados mecanismos financeiros para viabilizar a produção em larga escala e consolidados negócios comunitários piloto, com potencial de replicação em outras regiões da Amazônia. Testes e avaliações em todas as fases da produção garantirão a obtenção de uma fibra de alta qualidade.

Rodrigo Secioso, superintendente da área de Cadeias Agroindustriais e Defesa da Finep, destacou que o projeto visa não apenas melhorar as condições de trabalho, mas também aumentar a produtividade, agregar valor ao produto e expandir o mercado consumidor da malva.

Investimento Estratégico e Parcerias Essenciais

O investimento total no projeto soma R$ 25,7 milhões, com R$ 15,2 milhões provenientes da Finep como subvenção, conforme o edital Finep Amazônia – Subvenção Econômica à Inovação em Fluxo Contínuo – Bioeconomia e Desenvolvimento Regional.

Além da CTC, o projeto conta com a colaboração de importantes instituições científicas e tecnológicas, como a Universidade Federal da Amazônia, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA). Quatro empresas também integram a iniciativa: Bioverse, Supernova, MGK Equipamentos e LABB41.

Elias Ramos, diretor de Inovação da Finep, ressaltou a importância do apoio governamental para mitigar os riscos da inovação. Ele enfatizou que este tipo de iniciativa é crucial para viabilizar projetos genuinamente brasileiros, com potenciais benefícios diretos e indiretos para as comunidades envolvidas no desenvolvimento da malva.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *