
São Paulo e Santa Catarina sentem mais o golpe do tarifaço americano, que impacta US$ 7,4 bilhões em vendas brasileiras.
O mais recente tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil está concentrando seus efeitos em duas regiões importantes do país. São Paulo e Santa Catarina, juntas, respondem por mais da metade do impacto financeiro dessa nova medida comercial.
O total de vendas brasileiras afetadas pelas novas tarifas americanas chega a US$ 7,4 bilhões. Desse montante, uma parcela significativa, equivalente a 52%, tem origem nos estados paulista e catarinense, indicando uma concentração de prejuízos em economias estratégicas.
A Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Indústria, divulgou os dados e já anunciou um plano de auxílio. A agência disponibilizará R$ 130 milhões para ajudar as empresas a buscarem novos mercados e mitigarem os efeitos da taxação.
São Paulo na Mira das Novas Tarifas
O estado de São Paulo, principal polo econômico do Brasil, lidera o impacto em valores absolutos. Dos US$ 7,4 bilhões em exportações afetadas pelas tarifas de 25%, US$ 3 bilhões têm origem paulista. Isso representa 41,6% do total do valor das exportações brasileiras impactadas pela medida.
Para São Paulo, o prejuízo é considerável, atingindo 20% de suas exportações direcionadas aos Estados Unidos. A concentração de exportações em setores sensíveis à nova política tarifária americana explica a magnitude do impacto na economia paulista.
Santa Catarina Enfrenta Crise Proporcionalmente Maior
Embora São Paulo concentre o maior valor, Santa Catarina apresenta uma situação de maior criticidade em termos proporcionais. Do total de exportações catarinenses para os EUA, 68% estão sob o risco das novas tarifas. Isso significa que uma fatia expressiva do comércio bilateral do estado com os americanos foi diretamente atingida.
Essa alta dependência de exportações para o mercado americano torna Santa Catarina particularmente vulnerável às recentes decisões de política comercial dos Estados Unidos. A diversificação de mercados torna-se, portanto, uma necessidade urgente para o estado.
Setor Madeireiro e Granito Sob Pressão
Além dos impactos gerais em São Paulo e Santa Catarina, setores específicos como o de madeira e granito também estão sob forte pressão. Os Estados Unidos são um grande importador desses produtos brasileiros, e as novas tarifas podem afetar significativamente as exportações.
O setor madeireiro do Paraná, por exemplo, também deve sentir os efeitos, já que 30% das importações de madeira dos EUA vêm do Brasil, com 66,7% originários do Paraná. Da mesma forma, 36% do granito importado pelos EUA provêm do Brasil, material amplamente utilizado na construção civil americana.
Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, destacou a dificuldade de substituição imediata desses produtos no mercado americano. “Não há como, de uma hora para outra, o americano, que tem 30% do seu suprimento de madeira do Brasil para construção, buscar em outro local. Não tem como buscar granito em outro local com essa dependência de 36%”, comentou.
Justificativas e Rejeição Brasileira
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmou a imposição de uma tarifa adicional de 25% em parte dos produtos brasileiros, alegando supostas práticas comerciais “desleais” por parte do Brasil. O governo brasileiro, contudo, rejeita veementemente essas justificativas.
As novas tarifas entraram em vigor a partir de 22 de julho e devem impactar 19,2% do total exportado pelo Brasil aos Estados Unidos. A expectativa é de que essa medida gere efeitos em cascata, influenciando não apenas as empresas exportadoras, mas também a inflação no mercado americano, especialmente em setores que dependem de insumos brasileiros, como a construção civil.






