
Dólar Volta a Subir e Toca R$ 5,19 Após Sinais de Mais Juros nos EUA; Ibovespa Garante Oitava Alta Semanal
O dólar comercial registrou forte alta nesta sexta-feira (28), aproximando-se novamente da marca de R$ 5,20. A moeda americana ganhou força no mercado internacional após o presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, adotar um discurso mais firme em relação ao controle da inflação nos Estados Unidos. Essa sinalização elevou as apostas de que o banco central americano poderá promover um novo aumento nas taxas de juros em setembro, gerando incertezas nos mercados globais.
Enquanto o câmbio sofria a pressão externa, a bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, demonstrou resiliência e encerrou a semana com sua oitava alta consecutiva. Apesar da volatilidade imposta pelo cenário internacional, o principal índice da B3 conseguiu manter o ímpeto positivo, refletindo, em parte, expectativas de corte de juros no Brasil.
Os dados sobre o mercado de trabalho divulgados no Brasil também adicionaram nuances às expectativas econômicas. A criação de vagas formais em julho ficou abaixo do esperado, reforçando a percepção de uma desaceleração na economia e alimentando apostas de que o Banco Central do Brasil poderá iniciar um ciclo de redução da taxa Selic já em setembro. Conforme informação divulgada pelo g1, a expectativa predominante é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 13,75%.
Fed Sinaliza Mais Aperto e Dólar se Valoriza Globalmente
O discurso de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, no simpósio de Jackson Hole, foi o principal catalisador da alta do dólar. Warsh afirmou que o Fed ainda terá trabalho a fazer caso não haja confiança de que a inflação subjacente esteja retornando de maneira clara e suficientemente rápida à meta de 2%. Essa declaração aumentou a percepção de que o banco central americano pode manter uma postura mais restritiva.
Como consequência, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano subiram, com o título de dois anos, sensível às expectativas de política monetária, atingindo 4,35%. O índice DXY, que mede a força do dólar contra seis moedas fortes, também apresentou valorização, refletindo a busca por ativos considerados mais seguros diante do cenário de juros mais altos nos EUA. O dólar comercial no Brasil acompanhou essa tendência, operando em alta durante grande parte do pregão, com a moeda chegando a atingir a máxima de R$ 5,23.
Câmbio e Juros no Brasil: Um Equilíbrio Delicado
No cenário doméstico, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicaram a criação de 58.568 vagas formais em julho, um número inferior às projeções do mercado financeiro. Esse dado reforça a visão de uma desaceleração no mercado de trabalho brasileiro.
Essa desaceleração, por sua vez, aumenta as expectativas de que o Banco Central do Brasil possa iniciar o ciclo de cortes na Taxa Selic em breve. Atualmente, a Selic está em 14% ao ano, enquanto a taxa básica de juros nos Estados Unidos se encontra na faixa de 3,50% a 3,75%. A diferença entre as taxas de juros é um fator crucial que influencia o fluxo de investimentos internacionais e, consequentemente, a cotação do dólar frente ao real.
Ibovespa Resiste e Encerra Semana em Alta, Mas Bolsas Americanas Recuam
Apesar da pressão do dólar mais alto e do tom mais duro do Fed, o Ibovespa conseguiu manter a trajetória de alta, acumulando sua oitava sessão consecutiva de ganhos. O índice fechou o pregão desta sexta-feira em alta de 0,30%, aos 175.664,62 pontos. Na semana, o Ibovespa registrou uma valorização de 2,71%.
Em contrapartida, as bolsas americanas fecharam em baixa. O Dow Jones recuou 0,02%, o S&P 500 caiu 0,25% e o Nasdaq teve desvalorização de 0,52%. A perspectiva de uma política monetária mais restritiva por parte do Fed nos Estados Unidos reduziu o apetite por ativos de maior risco, pressionando os índices acionários americanos. Os dados da B3 indicam entrada líquida de recursos estrangeiros na bolsa paulista nos últimos pregões, totalizando R$ 1,3 bilhão, mas o fluxo acumulado em agosto ainda é negativo em R$ 18,7 bilhões.





