
Economistas propõem nova abordagem para a economia brasileira, focando em bem-estar e desenvolvimento sustentável.
Uma importante iniciativa batizada de “Vida em Conta” foi lançada nesta semana, reunindo mais de 100 economistas e 60 organizações da sociedade civil. O objetivo principal é criar uma ponte entre as discussões econômicas e a realidade vivida pelos brasileiros, promovendo um debate mais conectado às necessidades concretas da população.
A articulação desta ação é liderada pela Plataforma Cipó e pela organização Transforma. Elas destacam os avanços conquistados pelo Brasil nos últimos anos, como a retomada de políticas públicas, investimentos e planejamento estratégico que têm gerado resultados positivos.
Esses resultados incluem o combate à fome e à pobreza, a geração de trabalho e renda, a queda do desemprego e da inflação, além da proteção ambiental e o fortalecimento do Estado. No entanto, a iniciativa alerta que a consolidação dessas conquistas não é garantida e enfrenta riscos significativos.
Riscos de retrocesso econômico e social
Alerta sobre agenda que pode comprometer o futuro
As entidades participantes da “Vida em Conta” expressam preocupação com a possibilidade de um retorno a uma agenda econômica que priorize restrições permanentes ao investimento público. Esse cenário, segundo elas, pode levar ao enfraquecimento de serviços e instituições públicas essenciais.
Além disso, a iniciativa critica a proposta de desonerações tributárias que não apresentem contrapartidas claras para o desenvolvimento do país. Tais medidas, alertam, podem comprometer a proteção social e ambiental, prejudicando o crescimento econômico a longo prazo.
A percepção da melhoria econômica no cotidiano
Crescimento econômico e desigualdade social: um desafio persistente
Apesar do crescimento da economia e da melhora de alguns indicadores sociais, a “Vida em Conta” ressalta que uma parcela significativa da população brasileira ainda tem dificuldade em sentir os efeitos positivos no seu dia a dia. A iniciativa busca dar voz a essa realidade.
Maiara Folly, diretora-executiva da Plataforma Cipó, enfatiza a importância de como os benefícios do crescimento são distribuídos. “O crescimento econômico é fundamental, mas também importa como seus benefícios são distribuídos. Uma economia bem-sucedida é aquela que reduz desigualdades e transforma as capacidades e riquezas do país em avanços tecnológicos, empregos de qualidade e melhores condições de vida para a população”, afirma.
Diretrizes para uma economia mais justa e inclusiva
Propostas concretas para um futuro mais próspero
A “Vida em Conta” defende uma série de diretrizes para construir um futuro econômico mais equitativo. Entre elas, destaca-se a redução das desigualdades em suas diversas formas: renda, riqueza, gênero, raça e território, colocando o enfrentamento dessas disparidades no centro do planejamento econômico.
Outras propostas incluem a redução do custo de vida, a ampliação do tempo e das condições para uma vida digna, o fortalecimento da soberania tecnológica e a aceleração da diversificação produtiva. O objetivo é gerar empregos de qualidade e impulsionar um desenvolvimento mais robusto.
Marco Antonio Rocha, diretor-executivo do Transforma, complementa a visão da iniciativa. “O Brasil precisa ter a ambição de definir uma agenda de transformação social diante do novo cenário global. Não podemos ficar presos apenas às discussões fiscais de curto prazo frente às mudanças climáticas, tecnológicas e nos processos de trabalho”, pontua.
Ele conclui que é preciso avançar em uma agenda que evite retrocessos e garanta oportunidades econômicas e direitos sociais para todos os brasileiros. A “Vida em Conta” surge como um movimento crucial para moldar o futuro da economia do país.





