
A jornada exaustiva da escala 6×1 está com os dias contados para milhões de brasileiros, trazendo esperança de mais tempo para a família e a saúde.
A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, pelo Senado Federal, representa um marco na busca por um equilíbrio maior entre vida profissional e pessoal. A medida, que visa acabar com a escala de seis dias de trabalho seguidos por apenas um de folga, é vista com otimismo por trabalhadores que lidam diariamente com a exaustão e a falta de tempo.
A nova legislação promete não apenas mais dias de descanso, mas também uma redução gradual da jornada semanal. A expectativa é que os trabalhadores possam dedicar mais tempo ao lazer, ao convívio familiar, aos estudos, ao cuidado com a saúde e até mesmo a atividades que gerem renda extra, aliviando a pressão financeira.
Conforme informação divulgada pela Agência Brasil, uma pesquisa realizada em fevereiro deste ano pela Nexus aponta que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, evidenciando o amplo desejo por essa mudança. A expectativa agora é pela promulgação da emenda e pela sua efetiva implementação, que trará um alívio significativo para a vida de muitos.
A rotina de sacrifícios de quem vive sob a escala 6×1
Adrielle Barbosa de Aquino, 27 anos e mãe de dois filhos, trabalha como garçonete em regime 6×1 há quase uma década. Ela relata a dificuldade de conciliar as demandas familiares com um único dia de folga, o domingo. “É o dia que eu tenho para resolver minhas coisas. Um dia para resolver mil coisas e a gente fica perdida”, desabafa Adrielle.
A falta de tempo se agrava quando surgem imprevistos, como consultas médicas dos filhos. “A gente acaba perdendo um dia de trabalho e tem o salário descontado”, lamenta, evidenciando o impacto financeiro e a sobrecarga enfrentada.
Yasmin Nascimento, auxiliar administrativa em uma clínica, compartilha da mesma esperança. “Fiquei muito feliz porque essa PEC foi aprovada”, afirma, vislumbrando a possibilidade de aproveitar melhor o tempo livre com a família e outras atividades.
Mais tempo para cuidar da saúde e da família
Cristiane Wandermuren, 56 anos, que atua como ajudante de cozinha, também vivencia a rotina de apenas um dia de folga semanal. “Se eu tivesse mais um dia, eu iria cuidar da minha saúde, curtir mais os meus netos. Hoje tenho pouco tempo para minha família”, expressa sua angústia.
A dificuldade em agendar consultas médicas durante a semana é outro ponto crítico. “Médico a gente normalmente vai no meio da semana… Aí o patrão já fica de cara feia se você chega mais tarde”, comenta Cristiane, ilustrando a rigidez do sistema atual.
Simone Cunha de Oliveira, que trabalhou 15 anos na escala 6×1, agora desfruta de duas folgas semanais em um novo emprego em uma escola. Ela atesta a melhora na qualidade de vida: “Você tem dois de descanso, você pode resolver seus problemas. Só um dia para fazer tudo o que você quer ou precisa, não tem condições”, relata.
A transição para uma jornada mais humana
Maria Antônia de Carvalho, 63 anos, precisou se aposentar para ter mais de um dia de descanso. “Eu trabalhei na 6×1 minha vida inteira. Era horrível não ter tempo para nada”, recorda, satisfeita com o tempo agora dedicado a si e à família.
A PEC 221/2019 prevê que as empresas terão 60 dias após a promulgação da emenda para garantir a escala 5×2, com dois dias de descanso. Além disso, a jornada de trabalho será reduzida gradualmente, de 44 para 42 horas semanais em 60 dias, e posteriormente para 40 horas em 14 meses.
A partir da promulgação, as empresas terão um período de 60 dias para implementar a escala de cinco dias de trabalho com dois dias de descanso. Em seguida, a jornada semanal passará de 44 para 42 horas. Após 14 meses da promulgação, a jornada deverá ser de no máximo 40 horas semanais, com a manutenção da escala 5×2.
Cálculo das horas e impactos para pequenos negócios
No período de transição, entre o segundo e o 14º mês após a promulgação, as duas horas excedentes à jornada normal deverão ser distribuídas ao longo da semana. Isso significa que o empregado trabalhará 8 horas e 24 minutos nos cinco dias úteis.
Após a fase de transição completa, a jornada máxima será de oito horas diárias e 40 horas semanais, em cinco dias de trabalho. Trabalhos com horas extras só serão permitidos mediante pagamento adicional.
A proposta também prevê que leis complementares futuras poderão estabelecer medidas para mitigar os impactos da redução da jornada para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte, garantindo uma transição justa para todos os setores.





