
Produção da indústria brasileira registra queda de 0,8% em setembro, marcando a quarta retração em cinco meses e gerando preocupações.
A produção da indústria brasileira apresentou uma retração de 0,8% entre agosto e setembro deste ano, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este resultado marca a quarta vez em cinco meses que o setor industrial fecha o período em queda, sinalizando um momento de instabilidade.
O desempenho em setembro ficou abaixo das expectativas de mercado, que projetavam uma queda de 0,4%, segundo a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Os números revelam um cenário desafiador para as fábricas do país, que já haviam registrado perdas em meses anteriores.
A análise dos dados recentes indica uma desaceleração no ritmo de crescimento da indústria nacional. O analista da pesquisa, André Macedo, destacou que o desempenho das fábricas brasileiras nos últimos meses aponta para uma “clara redução na magnitude de crescimento”, o que reforça a preocupação com o cenário econômico.
Queda Acumulada e Perda de Ganho em 2023
Nos últimos cinco meses, a produção industrial acumulou uma perda de 4,1%. Esse recuo é significativo, pois anula grande parte do ganho de 4,2% que havia sido registrado nos quatro primeiros meses do ano. Com os números de setembro, a indústria se encontra 16,5% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011.
O comportamento do setor nos últimos meses foi marcado por flutuações negativas. Setembro registrou -0,8%, agosto -0,7%, julho ficou estável em 0%, junho apresentou -1,6% e maio teve -1%. Essa sequência de resultados negativos evidencia a fragilidade do setor.
Setores Chave Apresentam Quedas Disseminadas
A análise do IBGE detalha que a queda em setembro teve um “perfil disseminado de taxas negativas”. Três das quatro grandes categorias econômicas e 17 das 25 atividades industriais pesquisadas registraram encolhimento na produção.
Entre as grandes categorias econômicas, os bens de capital (máquinas e equipamentos) sofreram uma queda de 1,9%. Os bens de consumo semi e não duráveis apresentaram retração de 1,2%, enquanto os bens intermediários (produtos usados na fabricação de outros bens) caíram 0,7%. A única categoria com leve alta foi a de bens de consumo duráveis, com 0,7%.
Alimentos e Derivados de Petróleo Lideram as Quedas
As atividades que mais impactaram negativamente o resultado geral foram a produção de coque (derivado do carvão), produtos derivados de petróleo e biocombustíveis, com uma queda expressiva de 4,2%. Os produtos alimentícios também registraram forte recuo, de 1,7%.
André Macedo explicou que a produção de álcool etílico e de açúcar foi responsável por grande parte das perdas no setor alimentício. Ele destacou que essas atividades foram pressionadas pela redução no processamento da cana-de-açúcar, reflexo, em grande parte, dos impactos provocados pelo maior volume de chuvas na safra.
Indústrias Extrativas Contribuem Positivamente
Em contrapartida, o setor de indústrias extrativas apresentou um crescimento de 1,7%, sendo o principal fator de influência positiva na média da indústria. A maior extração de óleos brutos de petróleo, gás natural e minérios de ferro se destacaram nesta atividade, segundo o analista.
Na comparação com setembro do ano passado, a produção industrial caiu 2,5%, a retração mais acentuada desde março de 2024. O IBGE atribui essa queda a fatores como o efeito calendário, já que setembro de 2026 teve um dia útil a menos, e a uma base de comparação elevada, pois em setembro de 2025 a indústria havia avançado 2%.





