73% querem fim da escala 6x1 no brasil, mas salário é o dilema, diz pesquisa

73% querem fim da escala 6×1 no Brasil, mas salário é o dilema, diz pesquisa

Pesquisa aponta que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, desde que o salário seja mantido.

Uma pesquisa recente da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados revela um forte desejo da população brasileira em abandonar a escala de trabalho 6×1, onde se trabalha seis dias para folgar apenas um. De acordo com o levantamento, **73% dos entrevistados são favoráveis ao fim dessa jornada**, mas com uma condição essencial: **a manutenção integral dos salários**. A pesquisa ouviu 2.021 cidadãos com mais de 16 anos em todas as 27 unidades da federação.

O estudo também indica que uma expressiva maioria, cerca de **84% dos brasileiros, defende que os trabalhadores tenham, no mínimo, dois dias de descanso semanal**. Essa demanda por mais tempo de folga é um anseio generalizado, refletindo a busca por um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Conhecimento sobre a proposta e o dilema salarial

O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, explicou que **62% dos consultados têm conhecimento sobre o debate em torno do fim da escala 6×1**, que tramita no âmbito do governo federal e do Congresso Nacional. No entanto, uma parcela significativa, **35%, nunca ouviu falar sobre a proposta**. Dos que conhecem, 12% têm um entendimento aprofundado, enquanto 50% conhecem a discussão de forma parcial.

Ao serem questionados sobre o fim da escala 6×1, **63% se mostraram favoráveis de forma genérica**. Contudo, a introdução da variável salarial mudou o cenário. Quando a pergunta incluía a possibilidade de redução salarial, o apoio caiu para 30%. A maioria, **40%, só apoia o fim da jornada 6×1 se não houver qualquer impacto financeiro negativo**.

A pesquisa também abordou aqueles que já eram contrários à proposta. Dos 22% que se opunham ao fim da escala 6×1, uma parte considerável, **10%, afirmou que estaria disposta a mudar de opinião caso o salário fosse mantido**. Esse dado reforça a importância da remuneração como fator decisivo na aceitação da medida.

Redução de jornada versus remuneração: o cerne do debate

Marcelo Tokarski avalia que a discussão principal no Congresso Nacional girará em torno da **redução da jornada de trabalho, com ou sem diminuição salarial**. Ele ressalta que, enquanto as empresas tendem a defender a redução da jornada com corte de salários, os trabalhadores, em sua maioria, **rejeitam essa combinação**, especialmente em um país com renda média baixa e trabalho frequentemente precarizado.

“Acho que é um pouco essa leitura que a pesquisa nos traz e que joga luz sobre essa discussão”, comentou Tokarski. A pesquisa evidencia que, embora o desejo por mais dias de folga seja quase universal, a realidade financeira impede que muitos aceitem uma folga extra em troca de menos dinheiro. “Quem não quer ter folga a mais? Todo mundo quer. Agora, quando a gente coloca que você vai trabalhar um dia menos, mas vai ganhar menos, o cara não quer porque tem conta para pagar”, concluiu.

Apoio político à mudança na jornada de trabalho

A proposta de acabar com a jornada 6×1 encontra maior adesão entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. **71% dos entrevistados que votaram em Lula no segundo turno de 2022 apoiam o projeto**. Em contrapartida, entre os que votaram em Jair Bolsonaro, **53% são a favor do fim das 44 horas semanais de trabalho**.

Tramitação da PEC e futuras mudanças na jornada

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2015, que visa alterar a jornada de trabalho, já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. No entanto, ainda precisa passar por votações em plenário no Senado e na Câmara dos Deputados.

Se aprovada, a mudança para o fim da escala 6×1 será gradual. O primeiro ano manterá as regras atuais. No segundo ano, o número de descansos semanais passará de um para dois. A jornada máxima semanal, atualmente de 44 horas, poderá ser reduzida para 40 horas a partir de 2027 e, posteriormente, para 36 horas semanais a partir de 2031.

Um ponto crucial que ainda será definido pelo Congresso é a garantia de que os empregadores não poderão reduzir a remuneração dos trabalhadores para compensar o novo tempo de descanso. A pesquisa indica que **52% dos brasileiros acreditam que a proposta será aprovada pelo Congresso**, enquanto 35% discordam.

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