Parlasul aprova acordo Mercosul-UE: Brasil e Europa criam maior zona de livre comércio do mundo com impacto bilionário nas exportações

Acordo Mercosul-União Europeia avança com aprovação no Parlasul, abrindo caminho para nova era de comércio global e impulsionando a economia brasileira com potencial de bilhões em exportações.

A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) deu um passo decisivo nesta terça-feira (24) ao aprovar por unanimidade o aguardado Acordo de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Este marco representa a criação da maior zona de livre comércio do planeta, com expectativas de transformar o cenário econômico para o Brasil e seus parceiros do bloco sul-americano.

O texto, que passou por um debate iniciado em 10 de fevereiro, agora segue para as próximas etapas de ratificação nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado. A aprovação por unanimidade no Parlasul demonstra um forte consenso em torno dos benefícios que o acordo pode trazer para o país, desde a redução de barreiras tarifárias até a ampliação de oportunidades para a indústria nacional.

A assinatura do acordo, ocorrida em 17 de janeiro no Paraguai, foi enviada para análise da representação brasileira em 2 de fevereiro pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme informações divulgadas, a expectativa é que a implementação do acordo possa **incrementar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões**, além de diversificar as vendas internacionais e fortalecer a indústria nacional.

Redução de Tarifas e Acesso Ampliado ao Mercado Europeu

O acordo estabelece a gradual eliminação de tarifas entre os blocos, com o Mercosul zerando impostos sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, enquanto a União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos. Essa medida visa criar um ambiente de negócios mais favorável e previsível, beneficiando setores-chave da indústria brasileira como máquinas e equipamentos, automóveis e autopeças, produtos químicos, e aeronaves.

Com um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 22 trilhões, o mercado europeu se torna mais acessível para as empresas do Mercosul, que ganharão preferência em um mercado de alto poder aquisitivo. A redução de barreiras técnicas e a criação de regras mais claras para diversos setores prometem impulsionar o comércio e atrair investimentos estrangeiros.

Salvaguardas e Compromissos Ambientais: Protegendo Setores Sensíveis e o Meio Ambiente

Para proteger produtores locais, o acordo prevê cotas para produtos agrícolas considerados sensíveis, como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol. Acima dessas cotas, tarifas serão aplicadas, mas com um crescimento gradual ao longo do tempo e tarifas reduzidas. Este mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre os agricultores europeus, com cotas que variam entre 3% a 5% do valor importado do Brasil na UE, e chegando a 9% dos bens ou 8% do valor no mercado brasileiro.

Além disso, o acordo inclui **compromissos ambientais obrigatórios**, vinculando os produtos beneficiados à não ligação com desmatamento ilegal. Cláusulas ambientais são vinculantes, com a possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris, demonstrando um compromisso com a sustentabilidade.

Oportunidades para PMEs e Próximos Passos para a Ratificação

Um capítulo específico dedicado às Pequenas e Médias Empresas (PMEs) visa facilitar o acesso à informação, reduzir custos e burocracia para pequenos exportadores. O acordo também prevê avanços em áreas como serviços financeiros, telecomunicações, transporte e serviços empresariais, além de abrir portas para empresas do Mercosul disputarem licitações públicas na UE.

A entrada em vigor do acordo depende da ratificação pelos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além da aprovação pelo Parlamento Europeu. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que a implementação do acordo possa **ampliar a diversificação das vendas internacionais brasileiras**, beneficiando significativamente a economia nacional.

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