Tesouro Direto alcança marca histórica em janeiro, mostrando a força dos títulos públicos como investimento
O Tesouro Direto, plataforma que permite a compra de títulos públicos por pessoas físicas, atingiu um marco impressionante em janeiro de 2024. O programa registrou o maior volume de vendas de sua história, superando todas as expectativas e demonstrando um crescente interesse dos brasileiros em investimentos de renda fixa.
Com um total de R$ 12,02 bilhões em papéis negociados, o mês de janeiro de 2024 se consolidou como o período de maior sucesso desde a fundação do Tesouro Direto em 2002. Este resultado representa um salto significativo em comparação com meses anteriores, evidenciando a atratividade dos títulos públicos.
A performance de janeiro supera em 26,9% o volume de dezembro de 2023 e em 37,21% o de janeiro do ano passado. O recorde anterior, estabelecido em março de 2023 com R$ 11,69 bilhões, foi amplamente ultrapassado, consolidando a tendência de crescimento do programa. Conforme informação divulgada pelo Tesouro Nacional, os números reforçam a confiança dos investidores na segurança e rentabilidade oferecidas.
Títulos vinculados à Selic lideram a preferência dos investidores
Os títulos públicos mais buscados pelos investidores em janeiro foram aqueles atrelados à taxa básica de juros, a Selic. Esses papéis representaram 48,9% do total das vendas, impulsionados pelo elevado patamar da taxa de juros no país.
A taxa Selic, que estava em 10,5% ao ano até setembro de 2024, foi elevada para 15% ao ano. Essa alta torna os títulos vinculados aos juros básicos extremamente atrativos, oferecendo uma rentabilidade expressiva e segura em um cenário de incertezas econômicas.
Os papéis corrigidos pela inflação, como o IPCA, também se destacaram, respondendo por 28,2% das vendas. A expectativa de alta da inflação nos próximos meses contribui para o interesse nesses títulos, que protegem o poder de compra do investidor.
Novos títulos e a consolidação de prazos médios
Os títulos mais recentes, como o Tesouro Renda+, voltado para aposentadoria, e o Tesouro Educa+, para financiamento de estudos, mostraram um desempenho inicial promissor. O Tesouro Renda+ respondeu por 6,4% das vendas, enquanto o Tesouro Educa+ atraiu 1,5%.
Em relação aos prazos, os investidores demonstraram preferência por títulos de médio prazo. As vendas de papéis com vencimento entre cinco e dez anos somaram 40,6% do total, seguidas pelas operações com prazo de até cinco anos, que representaram 39,9%.
O estoque total do Tesouro Direto atingiu R$ 220,24 bilhões ao final de janeiro, um aumento de 3,28% em relação ao mês anterior. Essa expansão se deve tanto à correção pelos juros quanto ao fato de as vendas terem superado os resgates em R$ 4,88 bilhões.
Crescimento expressivo no número de investidores
O Tesouro Direto também celebrou um aumento significativo em sua base de investidores. No último mês, 330.786 novos participantes aderiram ao programa, elevando o total para 34.587.727 investidores.
Nos últimos 12 meses, o número de investidores ativos cresceu 9,83%. O total de investidores com operações em aberto alcançou 3.454.385, um aumento de 14,73% no mesmo período, indicando uma consolidação e um engajamento crescente na plataforma.
A popularidade do Tesouro Direto entre pequenos investidores é notável. As vendas de até R$ 5 mil representaram 77,5% das 1.305.976 operações realizadas em janeiro. As aplicações de até R$ 1 mil foram responsáveis por 55,7% do total, evidenciando o acesso facilitado e a democratização do investimento em títulos públicos.
Entendendo o Tesouro Direto
Criado em janeiro de 2002, o Tesouro Direto tem como objetivo democratizar o acesso a títulos públicos, permitindo que pessoas físicas invistam diretamente no governo federal. A plataforma opera pela internet, sem a necessidade de intermediários financeiros, sendo cobrada apenas uma taxa pela B3, a bolsa de valores brasileira.
A captação de recursos através da venda de títulos é uma estratégia fundamental para o governo financiar suas dívidas e honrar seus compromissos. Em contrapartida, o Tesouro Nacional garante a devolução do valor investido, acrescido de juros que podem variar de acordo com a Selic, a inflação, o câmbio ou uma taxa prefixada, conforme o tipo de título escolhido.