FGC recebe aporte bilionário dos bancos para garantir solidez e cobrir rombos
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) anunciou um reforço significativo em suas finanças, com um aporte extra de R$ 32,5 bilhões proveniente de contribuições antecipadas de bancos. A decisão, tomada pelo Conselho de Administração do FGC nesta quinta-feira (5), visa **assegurar a solidez patrimonial da instituição** e garantir sua capacidade de cumprir todas as obrigações.
Os recursos adicionais serão provenientes da antecipação de contribuições ordinárias que os bancos associados realizam ao fundo. Esse recolhimento antecipado equivale a 60 meses de contribuições, demonstrando um esforço conjunto para fortalecer a proteção dos investidores.
A medida ocorre em um momento crucial, especialmente após os pagamentos relacionados ao colapso do Banco Master. Conforme informação divulgada pelo próprio FGC, até a data do anúncio, o fundo já havia desembolsado R$ 38,4 bilhões em garantias para os credores do conglomerado financeiro, representando cerca de 94% do total previsto para indenizações. Aproximadamente 675 mil credores, o que corresponde a 87% do total de beneficiários, já receberam seus pagamentos.
Impacto no compulsório e liberação de recursos para bancos
A decisão do FGC foi tomada logo após o Banco Central (BC) autorizar as instituições financeiras a **descontarem os valores antecipados ao fundo do recolhimento compulsório**. O compulsório é uma exigência do BC, que determina que os bancos mantenham uma parcela de seus recursos parada na autoridade monetária.
Essa nova regra, na prática, pode resultar na liberação de cerca de R$ 30 bilhões para as instituições financeiras ao longo deste ano. O Banco Central esclareceu que essa iniciativa não deverá impactar a economia, pois os recursos liberados compensarão aqueles que deixaram de circular devido às contribuições antecipadas ao FGC.
Plano emergencial e histórico do Banco Master
Vale lembrar que, em fevereiro, o FGC já havia aprovado um plano emergencial para lidar com o rombo deixado pelo Banco Master. Esse plano prevê a antecipação imediata de cinco anos de contribuições futuras dos bancos associados, dividida em três parcelas mensais. Adicionalmente, novos adiantamentos estão programados para os próximos anos, com mais 12 meses de contribuições em 2027 e outros 12 em 2028, totalizando até sete anos de contribuições antecipadas.
O Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, devido a um colapso financeiro causado por uma crise de liquidez, agravada por ofertas de rendimentos agressivos a investidores. Investigações posteriores revelaram um **esquema de fraudes bilionárias**, estimado em cerca de R$ 17 bilhões, que incluía a criação de carteiras de crédito falsas. O FGC assumiu a responsabilidade de ressarcir os cerca de 1,6 milhão de credores afetados, em um montante aproximado de R$ 40,6 bilhões.
Investigações e desdobramentos
Como consequência das irregularidades, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal no dia da liquidação, durante a Operação Compliance Zero. Embora tenha sido solto posteriormente, foi preso novamente nesta quarta-feira. As investigações também levaram ao afastamento de funcionários do Banco Central e à liquidação de outras instituições ligadas ao esquema, como a Reag Investimentos e o Banco Pleno.