Descubra como a rede de apoio entre mulheres transforma carreiras e quais os custos inesperados dessa jornada de sucesso.
A ascensão profissional feminina é frequentemente impulsionada por uma poderosa rede de apoio entre as próprias mulheres. Uma pesquisa recente aponta que a colaboração e o incentivo entre colegas do mesmo gênero são determinantes para o avanço na carreira. Essa dinâmica, porém, não vem sem seus desafios e exige sacrifícios consideráveis.
Entender essa dinâmica é fundamental para empresas e para as próprias mulheres que buscam crescer no mercado de trabalho. A pesquisa lança luz sobre como essas conexões se formam e quais são os reais custos dessa jornada, revelando padrões que variam conforme a idade e a área de atuação.
A análise, realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados em parceria com a Todas Group, entrevistou mais de 1.500 mulheres em cargos de liderança em todo o Brasil. Os resultados oferecem um panorama detalhado sobre o papel do apoio feminino e as renúncias que acompanham o sucesso. Conforme informação divulgada pela pesquisa Nexus e Todas Group.
O Poder do Apoio Feminino na Ascensão Profissional
Os dados da pesquisa são claros: quatro em cada dez mulheres entrevistadas (41%) afirmaram ter recebido ajuda preferencialmente feminina para ascenderem em suas carreiras. Esse percentual destaca a importância de mentorias, conselhos e suporte oferecidos por outras mulheres que já trilharam caminhos semelhantes.
Em contraste, apenas 14% das líderes pesquisadas indicaram ter recebido apoio principal de homens ao longo de suas trajetórias. Outras 29% mencionaram ter recebido ajuda tanto de homens quanto de mulheres, mostrando um cenário de colaboração mista, mas com uma clara predominância do apoio feminino.
A CEO da Todas Group, Simone Murata, ressalta a força dessa rede: “Não adianta nós mulheres estarmos preparadas, se você não tem uma rede e uma aliança robusta por trás de você que a ajude a crescer”. Ela enfatiza que o sucesso de uma inspira e impulsiona outras, criando um ciclo virtuoso.
Diferenças por Faixa Etária e Área de Atuação
A percepção sobre quem mais impulsiona carreiras femininas pode variar. Entre as mulheres de 25 a 40 anos, o apoio feminino é ainda mais acentuado, com 48% atribuindo seu crescimento à ajuda de outras mulheres. Essa tendência é particularmente forte nas áreas de marketing, publicidade, comunicação (56%) e educação corporativa (53%).
Por outro lado, o apoio masculino tende a ser mais citado por mulheres em cargos de alta cúpula, como presidentes, vice-presidentes, CEOs ou sócias (20%), e por diretoras ou líderes de área (18%). Essas faixas etárias mais elevadas, de 41 a 59 anos, também apresentam uma porcentagem maior (18%) de mulheres que apontam o suporte masculino como principal.
O Alto Custo das Renúncias para o Sucesso Feminino
A pesquisa também investigou os sacrifícios feitos por mulheres para alcançar o sucesso profissional. Os resultados revelam um panorama preocupante sobre o autocuidado e o equilíbrio entre vida pessoal e carreira. Setenta e quatro por cento das entrevistadas (74%) precisaram abrir mão do autocuidado, o que engloba saúde física e hobbies.
O tempo dedicado à família foi outra área frequentemente sacrificada, citada por 53% das participantes. A saúde mental também aparece com o mesmo percentual (53%), indicando o impacto do estresse e da pressão no ambiente de trabalho. O lazer foi deixado de lado por 37%, e o desejo de ter filhos ou a maternidade foi renunciado por uma em cada quatro mulheres.
Simone Murata reflete sobre essa realidade: “Quando a gente se coloca nessa lista de prioridades, fica lá embaixo. Eu [mulher] não abro mão dos meus filhos, não abro mão de entregas do meu trabalho, não abro mão de cuidar dos meus amigos”. Essa declaração evidencia a complexidade de equilibrar múltiplas demandas.
O Impacto das Renúncias na Saúde Mental e a Evolução do Mercado
O esgotamento profissional, conhecido como Síndrome de Burnout, tem afetado significativamente as mulheres. Dados do Ministério da Saúde indicam um aumento de 54% nos atendimentos relacionados ao Burnout entre mulheres no SUS em 2023, superando os casos entre homens. Isso reforça a necessidade de atenção à saúde mental.
As renúncias também variam com a idade. Mulheres mais jovens (18 a 24 anos) sacrificaram mais a vida social e o lazer (50%), enquanto as de 25 a 40 anos deram prioridade à saúde mental (58%). As mais velhas (acima de 40 anos) apontaram o tempo com a família como o maior sacrifício (60%).
Murata observa que essas diferenças refletem as mudanças no mercado de trabalho e o aumento da participação feminina na liderança. “Há 20 anos, se exigia ainda mais da mulher, ela tinha que se provar muito mais. As concessões que essa mulher, que hoje tem 50 anos, teve que fazer, são superiores às dessa geração que está entrando agora”, afirma.
Exemplos de Empoderamento e Desafios Persistentes
Denise Hamano, líder na Magalu, exemplifica a força do impulso feminino ao criar uma comunidade com mais de 3 mil mulheres empreendedoras dentro da empresa. Essa rede oferece mentoria e troca de experiências, fortalecendo negócios e impulsionando o empreendedorismo feminino.
No entanto, mesmo nesses ambientes de apoio, a tripla jornada de trabalho se apresenta como o principal obstáculo para o crescimento. Mulheres relatam dificuldades em conciliar casa, negócio e cuidados familiares, relegando o descanso e o autocuidado a segundo plano. A busca por um equilíbrio sustentável continua sendo um desafio central para a ascensão feminina no mercado de trabalho.



