Biodiesel no Diesel: CNA Pede Aumento da Mistura para Blindar Preços e Evitar Impacto da Crise no Oriente Médio

CNA propõe dobrar a participação do biodiesel no diesel para B17, buscando mitigar a volatilidade de preços causada por tensões geopolíticas globais.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) encaminhou um pedido formal ao Ministério de Minas e Energia (MME) para aumentar o percentual de biodiesel misturado ao diesel comercializado no país. A proposta é elevar a mistura de 15% (B15) para 17% (B17), uma medida que, segundo a entidade, seria crucial para conter os impactos da alta do petróleo no mercado interno.

O cenário de instabilidade no Oriente Médio tem gerado preocupações significativas no setor produtivo, com o preço do petróleo Brent já apresentando uma elevação de cerca de 20% desde o final de fevereiro. Essa escalada de preços internacionais tende a se refletir diretamente no custo do diesel no Brasil, afetando a logística e a competitividade do agronegócio.

A CNA argumenta que o aumento da participação do biodiesel não só ajudaria a amenizar a pressão sobre os preços, mas também fortaleceria a segurança energética do país e impulsionaria a economia do campo. A proposta será levada para discussão em uma reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) na próxima semana.

Biodiesel como Escudo contra a Volatilidade do Petróleo

Em ofício assinado pelo presidente João Martins da Silva, a CNA detalha que a crescente tensão no Oriente Médio tem provocado uma forte pressão sobre os preços internacionais do petróleo. Conforme dados apresentados, o barril do tipo Brent atingiu US$ 84, acumulando uma alta expressiva de aproximadamente 20% desde o fim de fevereiro. Essa volatilidade, segundo a entidade, tem um impacto direto nos custos de transporte no Brasil.

A entidade lembra que eventos geopolíticos, como a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, já demonstraram o efeito cascata nos combustíveis. Naquela ocasião, o petróleo subiu cerca de 40% no primeiro semestre, levando a aumentos de aproximadamente 21% no preço do diesel nas distribuidoras e 23% na revenda. O aumento da mistura de biodiesel, portanto, é visto como uma forma de **reduzir a dependência do petróleo importado** e minimizar futuras flutuações de preço.

Impacto Direto no Agronegócio e na Logística Nacional

Para o setor produtivo, especialmente o agronegócio, o preço do diesel é um dos principais pontos de atenção. Durante os períodos de colheita e plantio, o custo do combustível representa uma parcela significativa dos gastos operacionais. A CNA destaca que produtores já relatam aumentos de até R$ 1 no preço do diesel nos postos.

Com a elevação para 17% de biodiesel (B17), a expectativa é que postos e distribuidoras consigam **evitar repasses maiores aos consumidores**, prevenindo potenciais abusos de preços. A medida visa garantir maior previsibilidade nos custos logísticos, um fator essencial para a competitividade dos produtos brasileiros no mercado interno e externo. O avanço da mistura de biodiesel é considerado uma medida **importante e sustentável** para ampliar a oferta de combustível e fortalecer a segurança energética.

Brasil com Oferta Robusta para Ampliar o Uso de Biodiesel

A CNA ressalta que o Brasil possui capacidade para atender à demanda por um maior volume de biodiesel, visto que a safra de soja, principal matéria-prima do biocombustível, está em andamento e com projeções de ser recorde neste ano. A **grande disponibilidade de matéria-prima** e os preços da soja mais baixos em comparação com os períodos de pico da pandemia de Covid-19 tornam o biocombustível uma alternativa **competitiva e viável**.

A entidade também mencionou que a mistura de 16% (B16) já estava prevista para entrar em vigor em 1º de março, conforme o cronograma da política de biocombustíveis, mas ainda não foi implementada. A aprovação do B17 representaria um passo adicional na consolidação do uso de energias renováveis na matriz energética brasileira, alinhando-se às metas de sustentabilidade e contribuindo para a **redução das emissões de gases de efeito estufa**.

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