Governo aciona Cade e pede investigação sobre alta nos combustíveis em 5 estados; sindicatos apontam repasses sem aumento da Petrobras

Governo pede investigação do Cade para apurar aumento de combustíveis em estados e DF

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, solicitou formalmente ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que investigue os recentes aumentos nos preços dos combustíveis observados em postos de gasolina na Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. O pedido foi motivado por queixas de sindicatos do setor.

Representantes de sindicatos relataram que distribuidoras nos estados mencionados e no Distrito Federal estariam elevando os preços de venda dos combustíveis. Isso estaria ocorrendo mesmo sem que a Petrobras tivesse anunciado reajustes nos valores praticados em suas refinarias. Os sindicalistas apontam que a justificativa para essa alta seria a valorização do petróleo no mercado internacional e os conflitos no Oriente Médio.

Diante deste cenário, a Senacon pediu ao Cade uma avaliação sobre a existência de indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência. A secretaria busca verificar se há tentativas de influenciar a adoção de condutas comerciais uniformes ou combinadas entre concorrentes no mercado de combustíveis. A informação foi divulgada em nota oficial pela Senacon.

Sindicatos expressam preocupação com reflexos internacionais

O SindiCombustíveis da Bahia manifestou, em suas redes sociais, preocupação com os efeitos do cenário internacional sobre o mercado de combustíveis no estado. O sindicato destacou que o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã tem pressionado as cotações do petróleo no mercado internacional, gerando reflexos já sentidos no Brasil.

Similarmente, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Rio Grande do Norte (Sindipostos RN) utilizou suas redes sociais para alertar sobre a situação. A entidade ressaltou que o conflito no Oriente Médio já começa a se refletir na alta do preço do petróleo no mercado internacional, acendendo um sinal de atenção para o setor de combustíveis no país.

Minaspetro relata preços exorbitantes e restrição de venda

O Minaspreto, sindicato que representa o setor em Minas Gerais, alertou para uma defasagem significativa nos preços. Segundo o sindicato, a diferença no preço do diesel já ultrapassa os R$ 2, e na gasolina, chega a quase R$ 1. A entidade aponta que as companhias estariam restringindo a venda e praticando preços considerados exorbitantes, especialmente para os revendedores de marca própria.

O sindicato informou ainda que já há relatos de postos completamente sem estoque em Minas Gerais. O Minaspetro afirmou estar monitorando a situação e que irá acionar os órgãos reguladores para tentar mitigar o risco de desabastecimento. A nota foi divulgada nas redes sociais do sindicato.

Sincopetro de SP considera investigação do Cade importante

Em São Paulo, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de São Paulo (Sincopetro) também tem observado aumentos nos preços dos combustíveis. Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do Sincopetro, José Alberto Gouveia, considerou a investigação do Cade como um passo importante para o setor.

Gouveia enfatizou que o dono do posto não deve ser responsabilizado isoladamente pelos aumentos. Ele explicou que os revendedores repassam o aumento que sofrem de seus fornecedores. Portanto, a investigação do Cade é vista como crucial para esclarecer a dinâmica dos preços e evitar que os varejistas sejam injustamente culpados pela alta nos combustíveis.

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