Mercado financeiro prevê corte de 0,25 ponto na Selic nesta semana, sinalizando início de ciclo de afrouxamento monetário.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nesta semana para definir o futuro da taxa básica de juros, a Selic. A expectativa predominante no mercado financeiro, conforme aponta o Boletim Focus divulgado pelo BC, é de uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,75% ao ano.
Esta decisão é aguardada com atenção, pois marca o possível início de um ciclo de afrouxamento monetário, após o Copom manter a taxa em 15% ao ano por cinco reuniões consecutivas. A Selic, atualmente em seu maior patamar desde julho de 2006, é a principal ferramenta do BC para controlar a inflação e atingir as metas estabelecidas.
Apesar de um cenário de inflação e dólar em recuo, o Copom sinalizou em sua última ata que iniciaria o corte de juros em março, caso a inflação permanecesse sob controle e não houvesse surpresas significativas no cenário econômico. Contudo, mesmo com a redução esperada, os juros devem permanecer em níveis considerados restritivos, visando a consolidação da desinflação.
Revisão de Expectativas: Inflação e Guerra no Irã Impactam Projeções
A previsão de corte na Selic sofreu uma revisão. Na semana anterior, o mercado antecipava uma redução mais expressiva, de 0,5 ponto percentual. No entanto, o aumento das expectativas de inflação, impulsionado em parte pelo impacto econômico da guerra no Irã e pela consequente alta no preço do petróleo, levou a essa moderação na expectativa.
Essa instabilidade global reflete diretamente nas projeções econômicas. O mercado financeiro elevou a estimativa para a taxa Selic ao final de 2026, de 12,13% para 12,25% ao ano. Para os anos seguintes, as projeções indicam uma trajetória de queda gradual, com a Selic atingindo 10,5% em 2027, 10% em 2028 e 9,5% em 2029.
Impacto da Selic na Economia: Juros Altos e Juros Baixos
A taxa Selic é um termômetro fundamental da economia. Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é frear o consumo e a demanda aquecida, tornando o crédito mais caro e incentivando a poupança. Essa medida, embora eficaz no controle inflacionário, pode desacelerar o crescimento econômico.
Por outro lado, a redução da Selic tende a baratear o crédito, estimulando a produção e o consumo. Essa dinâmica pode impulsionar a atividade econômica, mas exige monitoramento constante para evitar pressões inflacionárias futuras. Os bancos, ao definir os juros cobrados dos consumidores, também levam em conta fatores como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
Inflação e PIB: Cenários de Curto e Longo Prazo
No que diz respeito à inflação, a previsão do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 foi ajustada de 3,91% para 4,1%. Para 2027, a projeção se manteve em 3,8%, e para 2028 e 2029, a expectativa é de 3,5% ao ano. Apesar da alta pontual, essas estimativas se mantêm dentro do intervalo da meta de inflação perseguida pelo BC, que é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Em fevereiro, a inflação oficial registrou 0,7%, impulsionada pelos setores de transportes e educação, um avanço em relação aos 0,33% de janeiro. No acumulado de 12 meses, o IPCA atingiu 3,81%. Já as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foram ligeiramente revisadas para cima, com a estimativa para este ano passando de 1,82% para 1,83%. Para 2027, a projeção é de 1,8%, e para 2028 e 2029, o mercado espera uma expansão de 2% ao ano.
Câmbio: Dólar com Projeção de Estabilidade a Médio Prazo
A previsão para a cotação do dólar no final deste ano está em R$ 5,40. Para o fim de 2027, a expectativa é que a moeda norte-americana seja negociada a R$ 5,47, indicando uma relativa estabilidade no câmbio a médio prazo, conforme as projeções divulgadas no Boletim Focus.
