Rougger Guerra deixa cargo na Prefeitura de João Pessoa em meio a investigação da Polícia Federal
O prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), oficializou nesta sexta-feira (17) a exoneração de Rougger Guerra da Secretaria de Gestão Governamental e chefia de gabinete do município. A decisão ocorre poucos dias após a deflagração da Operação Cítrico, que investiga supostas fraudes em licitações e atuação de facções criminosas na cidade de Cabedelo.
Rougger Guerra, que também ocupava o cargo de chefe de gabinete, colocou seu cargo à disposição do prefeito na última terça-feira (14), logo após a operação da Polícia Federal ser divulgada. Ele nega qualquer envolvimento com os fatos apurados.
“Esclareço, de forma categórica, que não tenho qualquer envolvimento com os fatos investigados, tampouco mantive qualquer relação com as situações apuradas”, declarou Guerra em nota oficial. Em contato com o Portal MaisPB no mesmo dia, ele afirmou estar com a “consciência tranquila” e se declarou inocente.
Para o lugar de Rougger Guerra, Leo Bezerra nomeou Vitor Cavalcante de Sousa Valério. Valério já atuou como secretário de Desenvolvimento Social na gestão do ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, em 2017.
Entenda a Operação Cítrico e seus alvos
A Operação Cítrico, deflagrada pela Polícia Federal na terça-feira (14), teve como um de seus alvos o prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto, que foi afastado do cargo. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações, desviar recursos públicos, lavar dinheiro e possivelmente financiar facções criminosas.
Além de Edvaldo Neto e Rougger Guerra, o ex-prefeito de Cabedelo, Vitor Hugo, também foi alvo de mandados. A investigação aponta para um esquema que teria se utilizado da contratação fraudulenta de empresas fornecedoras de mão de obra ligadas à facção criminosa “Tropa do Amigão”, um braço do “Comando Vermelho”.
O esquema investigado envolveria a infiltração de faccionados em estruturas da Prefeitura de Cabedelo, circulação de valores públicos para o crime organizado e o uso de contratos administrativos como ferramenta de manutenção de poder, influência territorial e blindagem institucional. O valor total dos contratos sob suspeita pode chegar a R$ 270 milhões.
Consórcio criminoso e contratos milionários
As apurações indicam um consórcio entre agentes políticos da alta cúpula de Cabedelo, empresários e membros de uma organização criminosa. O objetivo seria a perpetuação de contratos milionários e a distribuição de vantagens ilícitas. A operação cumpre 21 mandados de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares pessoais determinadas pelo Poder Judiciário.
O afastamento de autoridades e servidores públicos visa aprofundar a coleta de provas, preservar a investigação e impedir a continuidade das atividades criminosas. As diligências são realizadas em regime de força-tarefa envolvendo a Polícia Federal, o Ministério Público da Paraíba (através do GAECO) e a Controladoria-Geral da União.
Crimes investigados e desdobramentos futuros
A Polícia Federal informou que a investigação segue em andamento e que os fatos apurados podem levar à responsabilização por crimes como frustração do caráter competitivo de licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de organização criminosa. Outros ilícitos eventualmente identificados durante a apuração também poderão ser objeto de responsabilização.
A rápida exoneração de Rougger Guerra da Prefeitura de João Pessoa demonstra a sensibilidade da gestão municipal diante das investigações em curso, buscando dissociar a administração municipal de qualquer suspeita relacionada à Operação Cítrico.

