Edinho Silva, presidente do PT, falando sobre os apoios de Lula na Paraíba

Presidente do PT revela quem são os únicos nomes que Lula apoiará para o senado na Paraíba, gerando racha político e tensão nos bastidores do Congresso nacional

Edinho Silva, presidente do PT, confirmou os candidatos ao Senado na Paraíba com apoio de Lula, excluindo Nabor Wanderley e gerando atrito com Hugo Motta.

Paraíba no epicentro da disputa senatorial com declaração oficial que redefine alianças e provoca reações imediatas entre figuras políticas chave do cenário nacional

O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, delineou os candidatos ao Senado da Paraíba que contam com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os nomes destacados são o ex-governador João Azevêdo, do PSB, e o senador Veneziano Vital do Rêgo, do MDB. Esta movimentação, noticiada pelo Estadão, deixa de fora Nabor Wanderley, ex-prefeito de Patos e pai do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).

Edinho Silva participou de um almoço em Brasília, organizado por frentes parlamentares, onde abordou as dinâmicas políticas atuais. Ele foi questionado sobre um vídeo gravado por Lula ao lado de Veneziano Vital do Rêgo.

“O presidente Lula sempre foi muito correto ao anunciar que, na Paraíba, tinha dois candidatos ao Senado: o João Azevêdo e o Veneziano. Então, isso nunca foi omitido.”

Ainda segundo o dirigente petista, o reconhecimento é estratégico. Ele afirmou que a posição não implica desrespeito a Nabor Wanderley.

“Não significa que ele não respeite o Nabor, que ele não terá uma relação de cordialidade com Nabor, que ele não possa debater o futuro com Nabor. Mas, nesse momento, ele tem que reconhecer o papel que o Veneziano cumpriu no Senado para o seu governo e as relações históricas que tem com o João Azevedo.”

A exclusão de Nabor Wanderley da lista de apoios diretos de Lula não deve, na avaliação do presidente do PT, gerar atritos com Hugo Motta. O governo federal enfrenta dificuldades no Congresso Nacional, especialmente devido à relação turbulenta com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Hugo Motta tem sido um articulador crucial para pautas eleitorais do presidente, como o fim da escala de trabalho 6×1.

A reação de Motta, entretanto, foi de contrariedade. Na noite da terça-feira, o presidente da Câmara criticou a movimentação, declarando que Veneziano estaria “queimando a largada”. Ele também sugeriu que a divulgação do vídeo sinalizava “desespero” do senador.

Edinho Silva tentou minimizar o mal-estar gerado. Ele reforçou a solidez dos laços entre Lula e Hugo Motta.

“Eu penso que as relações que o presidente construiu com Hugo Motta são sólidas, são relações políticas de interesse do País e, portanto, de longo prazo. Não significa que gravar um vídeo com um aliado também histórico vá estremecer essa relação.”

O presidente do PT ressaltou que Nabor Wanderley disputa sua primeira eleição ao Senado na Paraíba, indicando que há um caminho a ser construído.

Disputas eleitorais em outros estados e a complexa articulação petista

O cenário de múltiplas candidaturas e escolhas estratégicas se repete em outros estados cruciais. Em Pernambuco, por exemplo, Lula já definiu seu apoio para a corrida ao Palácio do Campo das Princesas. O presidente do PT explicou a preferência.

“Ele tem um respeito muito grande pela governadora, reconhece a liderança dela; portanto, é uma relação baseada na democracia. Mas o candidato dele em Pernambuco é o João Campos.”

Já em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, o palanque de Lula ainda permanece indefinido. Edinho Silva sinalizou que uma composição com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), não está mais em pauta. Existe um atrito entre Kalil e o PT desde a campanha de 2022.

“O Kalil quer construir a candidatura dele ao governo, mas interdita composições e outras alianças.”

A posição de Kalil impede outras negociações.

“Nós respeitamos a posição dele e vamos nos encontrar, com certeza, no segundo turno. Mas, nesse momento, quando ele se lança, impede que a gente continue dialogando com o PSB, PCdoB, Rede e PSOL.”

Uma pesquisa interna do PT mineiro, realizada recentemente, apontou a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, como o nome mais competitivo para disputar o governo, atrás apenas do senador Cleitinho (Republicanos-MG), que já declarou não ser candidato. Contudo, Marília Campos expressou preferência por concorrer ao Senado. Com a recusa do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) em disputar o governo e oferecer palanque a Lula, o PT ficou sem alternativa robusta. Diante desse impasse, caso Marília Campos não seja convencida a concorrer ao governo, o deputado federal Reginaldo Lopes deverá ser o candidato do PT no estado.

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